Depois de semanas de queda, o feijão-carioca voltou a subir no fim de agosto, em um movimento ligado à postura mais firme dos produtores diante dos preços baixos. No dia 28, a saca de 60 quilos do grão de melhor qualidade chegou a R$ 298,80 no Leste Goiano, segundo o Cepea. O valor representa alta de 8,66% em relação ao início do mês.
A recuperação ocorreu mesmo com o avanço da terceira safra, que havia ampliado a oferta e pressionado as cotações desde julho. Com a sequência de baixas, produtores passaram a restringir os volumes negociados, enquanto compradores ficaram mais cautelosos diante dos preços pedidos.
Produtores restringem vendas de feijão-carioca e freiam queda
A entrada da terceira safra aumentou a disponibilidade de feijão-carioca, principalmente nas regiões produtoras do Cerrado, pressionando os preços. Em meados de agosto, o Cepea apontava recuo superior a 20% na parcial do mês.
Com a desvalorização, porém, os vendedores reduziram a oferta de lotes e passaram a exigir valores maiores. A estratégia limitou a queda e permitiu uma recuperação parcial das cotações na segunda metade do mês. Do outro lado, os compradores diminuíram o ritmo dos negócios e demonstraram resistência aos novos preços.
Feijão-preto segue com preço mais estável
O feijão-preto apresentou comportamento diferente. No dia 28, a saca de 60 quilos chegou a R$ 215,96 na metade sul do Paraná, acumulando alta de 2,98% desde o início de agosto. A menor disponibilidade durante a entressafra e a procura por lotes de melhor qualidade ajudaram a manter as cotações firmes.
O cenário já vinha sendo observado desde julho. Enquanto o carioca sofria com a entrada de novos volumes, o preto permanecia sustentado pela menor oferta, especialmente no Paraná, após o encerramento da segunda safra.
Produção menor aumenta pressão sobre o feijão-preto
A Conab estima 469,5 mil toneladas de feijão-preto na safra 2025/26, volume 42,1% inferior ao da temporada anterior. A redução está associada principalmente à menor área cultivada e às perdas provocadas pelo clima no Paraná. Em julho, a Companhia também havia cortado em 7,3% a previsão em relação ao levantamento anterior.
Com isso, os dois principais tipos consumidos no país encerram agosto em situações distintas:
- Feijão-carioca: voltou a subir após a queda provocada pela maior oferta da terceira safra.
- Feijão-preto: permanece sustentado pela menor disponibilidade e pela produção reduzida.
- Mercado: produtores mais firmes ajudam a limitar as quedas, enquanto compradores mantêm cautela diante dos preços mais altos.
A alta observada no campo, porém, não significa repasse imediato ao consumidor. Entre a comercialização da saca e o preço nas prateleiras estão etapas como beneficiamento, empacotamento, transporte, margens de comercialização e estoques.













