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Animal que faz parte da alimentação dos brasileiros ganha nova função e pode virar parte de tratamento nos hospitais do país

Por Yasmin Henrique
15/09/2026
Animal faz alimentação brasileiros ganha

Foto: Viktor Braga / UFC

A pele da tilápia, peixe presente na alimentação dos brasileiros, pode ganhar uma função bem diferente da que costuma ter à mesa. Um material antes descartado pela indústria pesqueira virou matéria-prima para um curativo biológico desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) para tratar queimaduras e feridas.

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Depois de mais de uma década de pesquisas, a tecnologia avança para a produção industrial. A UFC licenciou o desenvolvimento ao consórcio Biotec’s, formado pelas empresas Biotec Solução Ambiental Indústria e Comércio Ltda. e Biotec Controle Ambiental Ltda. A primeira fábrica será instalada em Jaguaribara, no Ceará, região de grande produção de tilápia.

Pontos-chave
Pele de tilápia vira curativo biológico desenvolvido pela UFC
✓
Pesquisadores da UFC transformaram pele de tilápia em curativo biológico para tratar queimaduras e feridas.
✓
Estudos iniciaram em 2014; ensaio com 116 pacientes mostrou menos dor, menos trocas de curativo e menor tempo de reepitelização que sulfadiazina de prata.
✓
Tecnologia combina liofilização, esterilização e armazenamento sem refrigeração.
✓
UFC licenciou desenvolvimento ao consórcio Biotec’s; primeira fábrica será em Jaguaribara com investimento estimado de R$ 52 milhões.
✓
Fábrica terá capacidade inicial de cerca de 4,3 mil unidades por dia, previsão de operação plena em 2028 e gerará 200 empregos diretos e 800 indiretos.
✓
Produto ainda precisa de estudos de eficácia, segurança e autorização da Anvisa antes da comercialização para uso humano.

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Uma pesquisa de mais de uma década

Os estudos começaram em 2014 e ganharam estrutura na UFC a partir de 2015, coordenados pelos médicos Edmar Maciel Lima Júnior e Marcelo José Borges de Miranda, com equipes do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM).

Em um estudo com 116 pacientes com queimaduras de segundo grau superficial, a pele de tilápia apresentou, em comparação à sulfadiazina de prata:

  • menor dor e consumo de dipirona;
  • menos trocas de curativo;
  • menor tempo de reepitelização.

O material funciona como cobertura biológica temporária, protegendo a ferida durante a regeneração. A tecnologia também é estudada para aplicações médicas, veterinárias e odontológicas.

Do peixe ao curativo

O processamento combina:

  • Liofilização, que retira a água do tecido;
  • Esterilização, que prepara o material para uso;
  • Armazenamento sem refrigeração, facilitando transporte e distribuição.

Antes da comercialização para uso humano, o produto ainda precisa passar por estudos de eficácia e segurança e obter autorização da Anvisa. Hoje, o NPDM produz cerca de 600 unidades por mês. Com a nova fábrica, a capacidade poderá chegar a milhares de unidades por dia.

De resíduo a matéria-prima

Jaguaribara foi escolhida pela proximidade com áreas produtoras de tilápia e com o Açude Castanhão. A transformação da pele em biomaterial aproveita um subproduto que normalmente seria descartado e agrega valor à cadeia do pescado.

A fábrica prevê:

  • 200 empregos diretos;
  • 800 indiretos;
  • produção também voltada ao mercado internacional.

A unidade terá investimento estimado em R$ 52 milhões e capacidade inicial de cerca de 4,3 mil unidades por dia, podendo chegar a 12 mil após expansões. A previsão é de operação plena em 2028. 

Parte da produção deverá atender ao mercado brasileiro, incluindo o SUS, e outra parcela será destinada à exportação. México, Portugal e Turquia estão entre os países que avaliam possibilidades de pesquisa e futura utilização da tecnologia.

Custos e mais aplicações

O contrato prevê R$ 850 mil de pagamento inicial e 3,7% de royalties sobre a receita líquida. Com duração de 14 anos, estabelece até cinco anos para comercialização em humanos e três para uso veterinário.

A tecnologia ainda não está disponível nos hospitais brasileiros e depende de aprovação regulatória. Além das queimaduras, os pesquisadores estudam aplicações em:

  • reparação de córnea;
  • reconstrução de tecidos;
  • tratamento de feridas;
  • medicina veterinária e odontologia.

Na área humana, essas aplicações ainda dependem de novos estudos e autorizações. O tratamento de queimaduras é o estágio mais avançado.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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