Aproximadamente 30 milhões de hectares em propriedades rurais brasileiras são administrados por mulheres, o equivalente a duas em cada dez unidades.
Essas propriedades sob gestão feminina concentram-se em pequenas áreas: 77,8% delas possuem até 20 hectares, frequentemente ligadas à agricultura familiar.
No total, as mulheres administram 8,5% da área rural brasileira explorada.
O estudo Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro fornece os dados analisados nesta reportagem.
A Fundação IDH analisou a representatividade feminina no comando de atividades rurais brasileiras no século 21 por meio de revisão bibliográfica.
O levantamento examinou seis cadeias produtivas: pecuária, cacau, citros, soja, café e cana-de-açúcar.
A disparidade salarial no campo
O trabalho feminino nas fazendas é menos valorizado financeiramente que o masculino.
Apenas 17,4% das mulheres do setor rural recebem mais de três salários mínimos, ante 29,8% dos homens.
As mulheres também têm menor acesso a cooperativas e espaços de decisão no setor agropecuário.
Um terço das produtoras rurais não recebe assistência técnica, dificultando ainda mais sua atuação nas propriedades.
Presença feminina por cadeia produtiva
A pecuária lidera em participação feminina: mulheres comandam 33% das propriedades com produção pecuária.
Entre 2006 e 2017, o número de mulheres à frente de propriedades pecuárias cresceu 55%. O crescimento mostra a tendência de aumento da presença feminina nesse setor.
No cacau, as mulheres administram 22% das propriedades, especialmente as localizadas na Bahia e no Pará, com maior concentração na Bahia.
Nas culturas de citros (laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja), as mulheres lideram 18% da produção.
Na soja, maior cadeia da economia brasileira, elas representam 17% da força de trabalho na produção primária, número que sobe para 34,5% quando incluídos os agroserviços.
No caso da soja, o estudo aponta que “o acesso à gestão ainda enfrenta barreiras culturais severas, incluindo pressão doméstica para o abandono de cargos de liderança”.
Na cultura do café, a gestão feminina ocorre em apenas 13,2% dos estabelecimentos.
Ainda assim, nas propriedades administradas por mulheres, a participação feminina na mão-de-obra chega a 43%, acima dos 24% observados sob comando masculino.
Na cana-de-açúcar, a participação feminina é ainda menor: apenas 8,8% da força de trabalho é composta por mulheres, e 5,4% estão em cargos de liderança.
Mulheres como agentes de inovação
Segundo a Fundação IDH, as mulheres dedicadas a atividades rurais são “campeãs de inovação”, pois priorizam a responsabilidade social e técnicas avançadas de conservação do solo.
A fundação tem sede em Utrecht, nos Países Baixos. No Brasil, a Fundação IDH atua em cadeias produtivas rurais nos estados de Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.













