Marcos Palmeira, conhecido por sua carreira na televisão, dedica-se hoje à produção de alimentos orgânicos em uma propriedade no Rio de Janeiro.
O ator adquiriu um sítio que já produzia hortaliças e redirecionou a produção para a agricultura orgânica.
A trajetória começou na infância, na fazenda do avô, em Itororó, no sul da Bahia.
Quando o avô morreu, Palmeira visitou a região e encontrou as terras degradadas pelo desmatamento e sem as nascentes de água que marcavam sua infância.
Como a família preferia manter a produção convencional, ele comprou um sítio no Rio de Janeiro para começar a produzir orgânicos.
Desconhecimento e revelação sobre alimentos orgânicos
No início, Palmeira seguia as recomendações de vendedores, que indicavam fertilizantes e pesticidas para “fortalecer o solo”, sem questionar a prática. Levava hortaliças para sua avó e dizia: “olha, vó, salada natural”.
O ponto de virada veio quando percebeu que os próprios trabalhadores da fazenda recusavam comer o que produziam.
Quando perguntou o motivo, a resposta foi direta: não podiam comer porque usavam veneno todos os dias.
Essa revelação levou Palmeira a buscar conhecimento. Ele frequentou um curso de agricultura orgânica e começou a compreender os princípios da produção sustentável.
Aprendeu que não existem solos degradados, apenas solos mal manejados, e que pragas são sinais de desequilíbrio no ecossistema. Hoje, é membro do conselho do Instituto Brasil Orgânico.
O preço dos orgânicos e a falta de políticas públicas
Palmeira reconhece que alimentos orgânicos ainda são vistos como produtos de elite no Brasil.
Para ele, o preço mais alto se justifica porque o consumidor valoriza o produtor e contribui para a preservação das águas e florestas.
Para Palmeira, o problema está na ausência de políticas públicas objetivas para ajudar produtores orgânicos.
Ele afirma que, enquanto o agronegócio tradicional recebe isenções fiscais substanciais, pequenos produtores enfrentam dificuldades maiores para se manter viáveis.
Ele defende que essas políticas incluam a compra de orgânicos para escolas públicas.
Palmeira acredita que as crianças compreenderiam como a comida chega à mesa e reconheceriam a alimentação como nutrição e cuidado, não apenas um intervalo na rotina.
Agrotóxicos, transgênicos e quem alimenta o Brasil
Sobre o uso de agrotóxicos no país, Palmeira questiona a justificativa histórica para a prática.
Quando os agrotóxicos começaram a ser usados, o argumento era que apenas assim seria possível alimentar a população em larga escala.
Quando transgênicos surgiram, segundo Palmeira, o discurso permaneceu idêntico, e mesmo com toda essa tecnologia, a fome global persiste.
Palmeira ressalta que commodities como soja, milho e algodão ocupam grande parte das terras destinadas a agrotóxicos.
E transgenia, enquanto a agricultura familiar é responsável por colocar comida na mesa dos brasileiros. Para ele, a solução real passa por estimular o pequeno produtor.
E reconhecer que acabar com a fome envolve não apenas quantidade, mas qualidade nutricional dos alimentos.













