Durante décadas, o bacalhau foi associado quase automaticamente a Portugal. A ligação faz sentido: foram os portugueses que ajudaram a transformar o peixe em um dos símbolos de sua gastronomia e levaram o hábito de consumi-lo para o Brasil. Mas essa percepção começa a mudar.
Uma pesquisa do Observatório Receiteria sobre os hábitos dos consumidores brasileiros mostra que a Noruega superou Portugal na preferência quando a pergunta é sobre a origem do melhor bacalhau. Os números mostram o tamanho desse espaço.
O mercado brasileiro de peixes secos e salgados foi estimado em 86 mil toneladas em 2025, e a Noruega detinha 57% desse mercado, segundo o Conselho Norueguês da Pesca. O país concorre com fornecedores como China, Portugal e Rússia e possui participação próxima de 100% nas exportações para o Brasil de algumas espécies utilizadas na produção do bacalhau, como o Gadus morhua, o saithe, o ling e o brosme.
Bacalhau em tradição que atravessa gerações
O bacalhau já fazia parte da alimentação brasileira antes de 1808, mas a relação comercial com a Noruega ganhou força no século XIX. Em 1842, o veleiro Estrela do Norte chegou ao Rio de Janeiro com bacalhau, inaugurando uma rota de troca pelo café brasileiro. Quase dois séculos depois, o pescado segue entre os principais elos comerciais entre os países.
A estratégia norueguesa também passou pela publicidade. Em 2024, o atacante Erling Haaland tornou-se embaixador global do Conselho Norueguês da Pesca e passou a participar de campanhas da marca Seafood from Norway. A parceria foi renovada em março de 2026 e seguirá até o segundo semestre de 2028.
Características do consumo
Frequência de consumo
- 47% consomem bacalhau apenas em datas especiais, como Páscoa e Natal.
- 30% comem o peixe raramente, menos de três vezes por ano.
- 6% incluem o bacalhau no cardápio semanal.
Onde compram
- 58% fazem a compra em supermercados.
- 15% recorrem a mercados municipais e feiras.
- 14% compram em peixarias.
- 2% fazem compras pela internet.
Preço no varejo
- Gadus morhua: entre **R$ 150 e R$ 200 por quilo**.
- Lombo: pode chegar a cerca de **R$ 400 por quilo**.
- O preço é um dos fatores que limita o consumo mais frequente.
Fatores de alta
- Cotas de pesca: restrições na quantidade capturada.
- Custo na origem: aumento das despesas relacionadas à produção e comercialização.
- Mercado: esses fatores contribuem para manter o bacalhau como produto associado a ocasiões especiais.













