O El Niño já está estabelecido no Oceano Pacífico e deve ganhar força nos próximos meses, podendo atingir intensidade muito forte no fim de 2026. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima uma probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno persista até fevereiro de 2027, enquanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a chance de um El Niño muito forte durante o segundo semestre.
O fenômeno também aumenta a probabilidade de eventos extremos, como secas, enchentes, ondas de calor e chuvas intensas. A OMM afirma que o El Niño deve atingir seu pico de intensidade perto do fim deste ano e que seus efeitos climáticos podem continuar ao longo de 2027.
Chuva concentrada no Sul, seca no norte
No Brasil, os efeitos devem aparecer de forma desigual. A previsão para setembro, outubro e novembro indica chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul, enquanto Norte, Nordeste e áreas do Centro-Oeste e Sudeste tendem a registrar volumes inferiores ao normal. Ao mesmo tempo, as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do país.
Sul: mais chuva
- Sul, SP e MS: chuva acima da média, com risco de alagamentos e enchentes.
- Agricultura: mais água pode beneficiar culturas, mas também dificultar operações e favorecer doenças.
Norte e Nordeste: menos chuva
- Norte e Nordeste: precipitação abaixo da média e temperaturas elevadas.
- Centro-Oeste e Sudeste: déficit de chuva em MT, TO, norte de GO, MG e ES.
- Impactos: menor disponibilidade de água, agravamento da seca e prejuízos para lavouras, pastagens e pecuária.
Amazônia e Pantanal: risco de estiagem
- Amazônia Legal: Amapá, RR, PA, MA, AM, AC e norte de MT devem ter pouca chuva.
- Riscos: estiagem prolongada, menor disponibilidade hídrica e maior chance de queimadas, agravadas pelo calor e baixa umidade.
Calor acima da média em todo o país
De setembro a novembro, as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do Brasil. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a combinação de calor e pouca chuva pode agravar a seca, reduzir a umidade do solo e aumentar o risco de queimadas.
O El Niño altera as probabilidades climáticas em escala sazonal, mas não significa que haverá calor intenso todos os dias ou ondas de calor contínuas.
El Niño entre os mais fortes
A NOAA estima 69% de probabilidade de um evento histórico entre outubro e dezembro. O Painel El Niño brasileiro também aponta mais de 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro, com possibilidade de ser o episódio mais intenso desde 1950.
Em julho, a anomalia da temperatura do Pacífico chegou a 1,8°C na região Niño 3.4 e a 3,3°C na Niño 1+2, próxima às costas do Peru e do Equador.













