Uma influenciadora que viajou pela Ásia mostrou em suas redes sociais uma uva gigante verde, e os vídeos se espalharam rapidamente entre os usuários.
A repercussão trouxe à tona um dado que pegou muita gente de surpresa: existe uma variedade parecida cultivada em território brasileiro.
O cultivo acontece desde 2008 no município de Pilar do Sul, interior paulista, onde nasceu a Pilar Moscato, uma das primeiras variedades a entrar no mercado nacional de frutas gourmet.
Segundo Tamon Morioka, coordenador de marketing da APPC, a variedade surgiu depois que um pesquisador japonês trouxe mudas do Japão.
Essas mudas se adaptaram ao clima brasileiro por polinização cruzada. O cultivo começou em 2008, e a comercialização, três anos depois.
A doçura da uva gigante
Foi o sabor extremamente adocicado que consagrou a variedade entre os consumidores brasileiros.
Na medição pela escala Brix, usada para avaliar a concentração de açúcar, a fruta atinge 18 graus quando madura no ponto certo, um patamar acima dos 16 graus registrados pela cana-de-açúcar.
Uma uva comum no mercado normalmente chega a 14 graus Brix, mas a Pilar Moscato precisa ser colhida com 18.
Segundo a APPC, apenas entre 20% e 30% da produção anual consegue atingir esse nível de doçura, pois o resultado depende de muitos fatores externos.
Além da doçura, o tamanho da baga é essencial: mínimo 24 milímetros de diâmetro para classificação Pilar Moscato.
Frutas que não atingem esse padrão recebem outra classificação e são comercializadas pela cooperativa em diferentes linhas de negócio.
Cultivo manual e clima específico
A produção em Pilar do Sul segue processos semelhantes aos de outras uvas na maior parte do ciclo.
Uma etapa, porém, exige atenção diferenciada: o desbaste, seleção das bagas, é feito manualmente, com tesoura, e não com o pente tradicional usado em uvas convencionais, porque a fruta é muito sensível a esse instrumento.
O trabalho exige remover baga por baga para que cada uma cresça de forma adequada e forme cachos bem encaixados.
O clima e fatores externos impactam diretamente a qualidade da fruta, tornando o período ideal de colheita relativamente curto.
O volume de chuvas influencia o nível de doçura, razão pela qual janeiro e fevereiro são considerados os melhores meses para colheita e comercialização, embora a safra normalmente se estenda até maio.
Expansão da produção e exportação
A produção ocorre em 80 hectares com 60 mil videiras, gerando 800 toneladas por ano.
A fruta já é exportada para Canadá, países da Europa, Ásia e Emirados Árabes Unidos, consolidando a presença brasileira no mercado internacional de frutas premium.
A cooperativa estuda expandir o cultivo para outras regiões do Brasil. A estratégia ampliaria a produção, permitiria colheitas em diferentes épocas do ano e aumentaria a oferta da fruta.













