Partículas de plástico com menos de 5 milímetros já estão presentes em rios, riachos, represas e outros ambientes de água doce brasileiros. O Instituto de Pesca investiga como esses resíduos chegam aos ecossistemas, são ingeridos pelos peixes e podem interferir na alimentação e no funcionamento do organismo.
Os microplásticos surgem da fragmentação de materiais maiores e também chegam à água por esgoto doméstico e industrial, escoamento superficial, atividades agrícolas e transporte atmosférico. Na bacia do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, estudos encontraram cerca de 330 partículas por litro em águas superficiais.
O que os microplásticos fazem nos peixes
Os peixes podem ingerir as partículas ao confundi-las com alimento ou consumi-las junto com organismos contaminados. A maior parte é encontrada no trato gastrointestinal, mas também há registros nas brânquias e em outros tecidos.
Entre os possíveis efeitos estão:
- Irritação e lesões no sistema digestivo;
- alterações na alimentação e no metabolismo;
- estresse oxidativo e danos celulares;
- mudanças comportamentais;
- alterações nas brânquias e nas trocas gasosas.
Como o plástico não fornece nutrientes, sua ingestão pode reduzir o consumo de alimento em determinadas condições e ocupar espaço no sistema digestivo. Os efeitos variam conforme a espécie, o tamanho e o tipo de partícula e o nível de exposição.
Presença em ecossistemas de água doce
Em riachos rurais da bacia do rio Uruguai, no norte do Rio Grande do Sul, um estudo encontrou microplásticos no conteúdo estomacal de 72% dos 121 peixes analisados. A maior ocorrência foi registrada em Bryconamericus iheringii, com 85,7% dos indivíduos, seguida por Astyanax lacustris (69,4%), Astyanax henseli (69,1%) e Oligosarchus breviostris (66,7%).
Outro estudo do Instituto de Pesca encontrou microplásticos no conteúdo estomacal de 94,37% dos peixes analisados na bacia do Rio Sorocaba, em São Paulo. Foram avaliados 369 indivíduos de 20 espécies.
Os resultados mostram que a contaminação não está restrita aos grandes centros urbanos e também alcança riachos e áreas rurais.
Caminhos para frear a contaminação
O controle começa antes de o plástico chegar aos rios. Entre as principais medidas estão:
- ampliar o saneamento e o tratamento de efluentes;
- melhorar a coleta, gestão e reciclagem de resíduos;
- manter a vegetação nas margens dos rios e riachos;
- reduzir o transporte de resíduos pelo escoamento superficial;
- desenvolver materiais e processos que diminuam a geração de microplásticos.
No Brasil, pesquisas do Instituto de Pesca também buscam identificar as fontes e os tipos de polímeros presentes nos ambientes aquáticos. Na bacia do Rio Sorocaba, por exemplo, o polietileno foi o polímero mais frequente, seguido pelo PET.













