Em diferentes regiões da Espanha, burros, cavalos, vacas, cabras e ovelhas estão sendo usados para uma tarefa pouco comum: reduzir o risco de incêndios florestais. Ao comer gramíneas e arbustos secos e pisotear a vegetação, os animais diminuem a quantidade de material inflamável e criam interrupções que dificultam a propagação do fogo.
A prática ganhou espaço na última década, especialmente em áreas onde o abandono rural fez a vegetação crescer sem controle. A ideia não é substituir bombeiros ou outras técnicas de prevenção, mas usar o próprio pastoreio como ferramenta de manejo da paisagem.
Espanha usa diferentes rebanhos no combate preventivo aos incêndios
Doñana, Andaluzia
- Projeto: “Asnos Bomberos”, da associação El Burrito Feliz.
- Animais: 18 burros em 2025 e 14 em 2026.
- Função: comem capim seco e ajudam a abrir faixas de proteção contra incêndios.
- Atuação: cerca de 7 horas por dia durante os meses de maior risco.
- Resultado: a associação afirma que as áreas manejadas pelos animais não registraram incêndios nos últimos anos, mas o dado não foi confirmado por avaliação independente.
Catalunha
- Projeto: Ramats de Foc.
- Objetivo: reduzir a biomassa e criar descontinuidades na vegetação, dificultando a propagação do fogo.
- Alcance: cerca de 90 criadores e 15 mil hectares de áreas florestais em 2023.
- Animais: cabras, ovelhas, vacas, cavalos e alguns burros.
- Atuação por espécie: ovelhas consomem principalmente vegetação herbácea; cabras avançam sobre arbustos e plantas lenhosas; vacas e cavalos também reduzem o material combustível e deixam áreas mais abertas.
Galícia
- Estratégia: recuperação de raças nativas para o manejo da vegetação.
- Destaque: vaca Cachena, adaptada a terrenos montanhosos e usada para consumir plantas inflamáveis.
- Expansão: rebanhos em sistemas comunitários passaram de cerca de 1.800 animais nos anos 1990 para mais de 30 mil em 2026, segundo dados citados pela Reuters.
Uma crise que intensifica a busca por soluções
A estratégia ganhou urgência: até agosto de 2025, quase 1 milhão de acres haviam queimado em várias regiões espanholas. Foi o pior ano de incêndios em três décadas, e o governo declarou zonas de desastre em Castilla y León, Galícia, Astúrias, Extremadura, Madri e Andaluzia.
O pastoreio, porém, não resolve sozinho o problema. Especialistas e projetos de manejo tratam os animais como uma das ferramentas possíveis, ao lado de queimas controladas, limpeza mecânica, planejamento florestal e recuperação do manejo rural.













