A colheita do café arábica avançou pelo Brasil e já se aproxima do fim, mas isso não foi suficiente para derrubar os preços. Pelo contrário: a saca de 60 quilos chegou a registrar, em agosto, a maior média nominal dos últimos quatro meses.
O Indicador Cepea/Esalq fechou o mês com média de R$ 1.770,88 por saca, em um cenário que chama atenção justamente porque a entrada de uma nova safra costuma aumentar a oferta e aliviar as cotações.
Desta vez, porém, dois fatores mudaram essa dinâmica: parte do café colhido apresentou qualidade inferior ao esperado e os estoques certificados em Nova York permaneceram baixos. A preocupação com o clima para a próxima safra também passou a influenciar as expectativas do mercado.
Mais café não significa mais café de qualidade
Produção:
- Estimativa: 66,2 milhões de sacas de café beneficiado na safra 2026/27, segundo a Conab
- Arábica: previsão de 44,1 milhões de sacas, alta de 23,3% sobre o ciclo anterior
- Recorde: volume total pode superar o maior resultado histórico
Qualidade:
- Problema: maior produção não significa maior oferta de café de alta qualidade
- Chuvas: precipitações durante a colheita prejudicaram parte dos grãos
- Resultado: aumento de cafés de bebida inferior e de peneiras menores
- Mercado: menor disponibilidade de cafés finos ajudou a sustentar os preços
Ritmo da colheita:
- Atraso: chuvas de junho e julho dificultaram a colheita, a secagem e a preservação dos grãos
- Fim de julho: cerca de 30% da safra ainda estava por colher, segundo o Cepea
- Sul de Minas: cerca de 90% da área colhida no fim de agosto
- Cerrado Mineiro: entre 85% e 90% da área colhida
- Zona da Mata: aproximadamente 97% da área colhida
- Oferta: a entrada gradual do café no mercado limitou a pressão de baixa durante parte de agosto
Próxima safra já começa a preocupar
Com a colheita da safra 2026/27 entrando na reta final, a atenção do mercado começa a se voltar para o próximo ciclo do café. Nas próximas semanas, a floração ganha protagonismo, e as condições climáticas passam a ser determinantes para o potencial produtivo da próxima safra.
Chuva e temperatura em níveis adequados são essenciais para o pegamento das flores e o desenvolvimento inicial dos frutos. Já períodos de estiagem, excesso de chuva ou temperaturas fora do padrão podem comprometer a formação dos frutos e reduzir o potencial de produção.













