Ondas de calor cada vez mais intensas estão ameaçando a segurança alimentar da Austrália. Não apenas durante o verão, mas também em períodos críticos de floração das culturas na primavera.
Pesquisadores alertam que temperaturas extremas ao longo de todo o ano estão colocando em risco a produção de alimentos e exigem estudos urgentes para ajudar os agricultores a se adaptarem.
Anthony De leso administra a Thorndon Park Produce, uma empresa familiar ao norte de Adelaide que cultiva uma grande variedade de vegetais folhosos e ervas aromáticas.
Durante o verão, sua fazenda foi atingida por três ondas de calor extremas que destruíram culturas delicadas.
Ondas de calor extremas ameaçando as plantações australianas
A onda de calor mais recente foi particularmente devastadora: cerca de três dias com 45 °C, precedidos e seguidos por temperaturas nos meados a altos 30s, não oferecendo nenhum alívio para os funcionários nem para as plantas.
Sem alívio do calor, muitas culturas falharam. O coentro, por exemplo, não resistiu ao segundo evento extremo.
A perda de renda causada por plantações arruinadas, combinada com o aumento dos custos de insumos desde 2022, pesa no orçamento dos produtores.
Agora, com custos operacionais muito mais altos desde 2022, cada evento climático extremo representa um golpe muito mais duro do que costumava ser.
A biologia das plantas quebrada pelo calor
Para Owen Atkin, professor de fisiologia vegetal da Universidade Nacional Australiana, temperaturas extremas literalmente quebram a biologia das plantas e causam seu colapso.
O verão de janeiro de 2026 foi, segundo ele, um alerta sobre as temperaturas que podem ocorrer no futuro.
Durante aquele período, áreas do sul da Austrália e de Nova Gales do Sul bateram recordes de temperatura, e partes do sul se aproximaram de 50 °C à sombra.
Colegas de Atkin em campo registraram temperaturas de 65 °C na superfície do solo e de 55 °C a cerca de 10 centímetros acima dela. Isso significa que qualquer coisa que cresça perto da superfície enfrenta calor extremo.
Regiões e culturas mais vulneráveis
Certas regiões e tipos de plantação são particularmente suscetíveis ao dano térmico.
Trigo, uvas e amêndoas estão entre as culturas mais ameaçadas, especialmente nas áreas ao redor de Renmark, no Vale do Rio, em Mallee e Sunraysia.
No sul da Austrália, as uvas enfrentam risco particular, sejam frutas de mesa, uvas passa ou videiras para vinho.
O calor extremo pode literalmente fazer com que os frutos fervam nas videiras, comprometendo toda a safra.
Essa vulnerabilidade também atinge as frutas secas, que dependem de temperatura controlada para maturar adequadamente.
Pesquisa em busca de soluções
Pesquisadores trabalham para descobrir e desenvolver culturas mais resistentes ao calor, mas especialistas alertam que ainda é preciso fazer muito mais.
Produtores exploram estratégias que vão da troca para culturas menos sensíveis à instalação de sistemas de proteção em áreas específicas.
Conforme as ondas de calor se intensificam e passam a ocorrer em períodos antes considerados seguros, a adaptação deixa de ser planejamento futuro e se torna uma necessidade imediata para garantir que o país continue produzindo alimento suficiente.













