O arroz, um dos principais símbolos da alimentação japonesa, enfrenta uma das maiores crises de abastecimento das últimas décadas.
O país chegou ao menor estoque privado do grão em 25 anos após o calor extremo e a seca prejudicarem a produção e reduzirem a qualidade da safra.
A escassez já chegou aos supermercados. Redes de diferentes regiões começaram a limitar a quantidade de pacotes que cada consumidor pode comprar, enquanto pesquisadores aceleram a busca por variedades capazes de suportar temperaturas mais elevadas.
O problema começou ainda no verão anterior, quando as altas temperaturas atingiram importantes áreas produtoras. O calor prejudicou o desenvolvimento dos grãos e reduziu a produtividade das lavouras.
Reservas em nível crítico e pressão nas prateleiras
As reservas privadas de arroz no Japão chegaram a 1,56 milhão de toneladas em junho de 2024, o menor volume registrado desde 1999, quando começou a coleta comparável de dados.
Esse volume, combinado com o aumento da demanda impulsionado também pelo número recorde de turistas internacionais, agravou a situação e deixou as prateleiras vazias em diversas redes de supermercados.
Os dados de inflação de julho mostraram que o preço do arroz comum, excluída a marca premium koshihikari, teve o maior aumento em mais de 20 anos.
O arroz, apesar de ser um alimento amplamente consumido no Japão, é também motivo de orgulho nacional, base para pratos icônicos como o sushi, e historicamente um dos poucos alimentos em que o país era autossuficiente.
Desenvolvimento de grãos que resistem ao calor extremo
Saitama, prefeitura ao norte de Tóquio e uma das regiões mais quentes do país, lidera um dos vários projetos nacionais para criar arroz mais resistente.
Pesquisadores do Centro de Tecnologia Agrícola de Saitama recolhem sementes de diferentes partes do Japão, cultivam-nas e fazem polinização cruzada para desenvolver variedades como a emihokoro, nome que significa “sorriso radiante”.
A variedade emihokoro foi plantada em 31 campos para teste neste ano. Yoshitaka Funakawa, agricultor de 73 anos que participa do programa experimental, disse à Reuters que considera fundamental ter variedades resistentes ao calor.
Sem elas, a profissão se tornará muito difícil nos próximos anos. O Japão registrou seu julho mais quente em 2024.
Arroz se torna questão de segurança alimentar
O Japão, quarta maior economia do mundo, importa mais de 60% de seus recursos alimentares, o que torna a autossuficiência em arroz ainda mais crítica.
Por isso, o desenvolvimento de grãos mais resistentes vai além da agricultura: é também uma questão de segurança alimentar para um país altamente dependente de importações.













