A jogadora de basquete Jewell Loyd, campeã olímpica com os Estados Unidos em Paris 2024 e apelidada de “Gold Mamba” pelo astro Kobe Bryant, decidiu investir no campo para preservar uma propriedade da família.
Ao lado do irmão, Jarryd, ela comprou uma fazenda em Minnesota com o objetivo de impedir que as terras fossem vendidas para fora da família e transformar a propriedade em um patrimônio para as próximas gerações.

Loyd cresceu nos arredores de Chicago e não tinha familiaridade com a agricultura. A aproximação com o setor aconteceu por meio do irmão, Jarryd, que jogou basquete universitário e atuou profissionalmente no exterior antes de se casar com uma mulher de uma família proprietária de terras na região de Minneapolis.
A fazenda era administrada principalmente pelo avô de Jarryd, mas o avanço da idade tornou a rotina no campo cada vez mais difícil. Diante da possibilidade de a propriedade deixar a família, os irmãos decidiram assumir o controle das terras e mantê-las como um patrimônio familiar.
Uma fazenda que virou herança
Em entrevista à Andscape, Loyd explicou que a decisão de comprar a propriedade também está ligada à construção de um patrimônio que possa ser transmitido entre gerações. Para ela, a presença de mulheres e de agricultores negros no campo norte-americano ainda é pequena, o que tornou a iniciativa especialmente significativa.
A jogadora vê a fazenda como uma oportunidade de criar uma nova fonte de riqueza familiar e, no futuro, deixar um patrimônio para os filhos de Jarryd. A ideia é que as terras permaneçam sob controle da família e continuem sendo produtivas ao longo das próximas gerações.
A propriedade da família Loyd fica cercada por parte dos 10.000 lagos que existem em Minnesota, na cidade de South Haven. Jarryd cuida da rotina da fazenda, que tem 160 acres dedicados ao cultivo alternado de trigo orgânico, milho e soja.
Jewell participa das atividades sempre que sua agenda no basquete permite algum espaço livre. Mesmo à distância, há muito a considerar sobre o clima e a condição do solo, já que qualquer mudança no ambiente pode comprometer a colheita.
A perda histórica de terras por agricultores negros
A decisão dos irmãos também ocorre em um contexto marcado pela perda histórica de propriedades rurais por famílias negras nos Estados Unidos. Agricultores negros representam menos de 2% dos produtores rurais do país, participação que foi afetada por décadas de discriminação no acesso à terra, ao crédito e a programas de financiamento público.
Segundo dados citados pela Ordem dos Advogados dos Estados Unidos, agricultores negros perderam, desde a década de 1920, terras e rendas avaliadas em cerca de US$ 326 bilhões. Jason Brown, da First Fruits Farm, afirmou que as consequências desse processo ultrapassam os agricultores diretamente afetados e atingem comunidades que dependiam dessas propriedades para o abastecimento de alimentos.













