Em 1979, Jody Scheckter conquistou o campeonato mundial de Fórmula 1 pela Ferrari, em uma temporada marcada pela disputa com nomes como Gilles Villeneuve e Niki Lauda. Um ano depois, aos 30 anos, deixou as pistas. A carreira seguinte, porém, também seria marcada por velocidade, ambição e grandes projetos, só que longe dos autódromos.
O sul-africano se tornou empresário e, posteriormente, agricultor. Em Hampshire, na Inglaterra, transformou a Laverstoke Park Farm, uma propriedade de aproximadamente 2.500 acres, ou 1.012 hectares, em uma operação baseada na agricultura orgânica e em princípios biodinâmicos.
A fazenda chegou a reunir bovinos, búfalos, ovelhas, porcos, javalis e aves, além de culturas agrícolas e um vinhedo. O projeto também incluiu o plantio de 130 mil árvores nativas e oito milhas de cercas vivas, equivalentes a cerca de 13 quilômetros.
Do automobilismo aos negócios
Scheckter estreou na Fórmula 1 em 1972, no Grande Prêmio dos Estados Unidos, e rapidamente ganhou fama pelo estilo agressivo de pilotagem. Depois de conquistar o título mundial com a Ferrari, encerrou a carreira em 1980.
A mudança não significou uma aposentadoria tranquila. Em 1983, ele fundou a Firearms Training Systems (FATS), empresa especializada em simuladores para treinamento com armas destinada a forças policiais e militares. O negócio cresceu e se tornou uma importante fonte de sua fortuna antes de ser vendido.
A agricultura surgiu posteriormente. Scheckter já havia comprado uma pequena propriedade nos Estados Unidos e se interessado por produção orgânica. Um livro sobre o tema despertou sua curiosidade, e ele passou a estudar o assunto até transformar o interesse em um novo projeto empresarial.
Uma fazenda tratada como um organismo
A Laverstoke Park foi criada com base na ideia de que solo, plantas e animais fazem parte de um mesmo sistema. A propriedade segue princípios da agricultura biodinâmica, conceito desenvolvido a partir das ideias do austríaco Rudolf Steiner em 1924, e também possui certificação orgânica.
Na prática, o sistema envolve rotação de culturas e animais, períodos de descanso da terra e preocupação com a fertilidade do solo. A propriedade chegou a cultivar 31 variedades de gramíneas e ervas, enquanto um laboratório próprio analisava as condições do solo.
A estrutura também foi pensada para reduzir a dependência de insumos externos. Scheckter buscava construir um ciclo em que os próprios recursos da fazenda contribuíssem para manter a produção.
A dimensão do projeto fica mais clara pelos números registrados durante a expansão da fazenda:
- 2.500 acres de área, cerca de 1.012 hectares;
- 130 mil árvores nativas plantadas;
- cerca de 13 quilômetros de cercas vivas;
- 31 variedades de gramíneas e ervas nas pastagens;
- cerca de 400 bovinos Hereford e Aberdeen Angus distribuídos em aproximadamente 700 acres;
- mais de 1.000 ovelhas Hebridean;
- criação de javalis em áreas de mata;
- uma grande criação de búfalos, que chegou a cerca de 2.500 animais.
A propriedade também cultivava cereais para alimentação dos animais e mantinha um vinhedo com variedades como Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.
Uma operação que abastece grandes chefs
A produção da Laverstoke Park não ficava restrita à fazenda. A propriedade chegou a produzir carne bovina, carne de búfalo, cordeiro, porco, frango, leite de búfala, queijos, sorvetes e outros alimentos, comercializados diretamente e por grandes varejistas britânicos.
Produtos da fazenda também chegaram às cozinhas de chefs renomados, incluindo Heston Blumenthal e Raymond Blanc. A operação criou ainda uma estrutura própria para processamento de leite e produção de derivados, além de instalações para processamento de carnes.
O projeto buscava controlar praticamente toda a cadeia, da produção da matéria-prima ao alimento vendido ao consumidor.













