Daniel e Kim Croker deixaram Brisbane e os empregos de escritório para criar porcos na região de Tamar Valley, na Tasmânia. O casal se mudou para Lebrina em março de 2017 e transformou a propriedade em uma fazenda de suínos da raça Berkshire, batizada de Fork It.
A decisão de abandonar a vida urbana veio após anos de insatisfação. Kim trabalhava como professora, e Daniel, como pesquisador acadêmico. Ambos sentiam que ganhar dinheiro apenas para gastá-lo não tinha propósito. Daniel havia passado duas décadas em um ambiente climatizado, observando microscópios e computadores. A rotina o esgotara.
Do projeto aos porcos: os primeiros passos
Nem Kim nem Daniel tinham experiência com agricultura quando começaram. O primeiro desafio foi construir 12 quilômetros de cerca para abrigar 52 porcos, entre eles nove matrizes e um reprodutor chamado Romeo. A infraestrutura era mais complexa do que imaginavam, mas o casal perseverou.
O nome da fazenda reflete a jornada do casal. Fork It surgiu das conversas entre os dois enquanto procuravam o nome ideal. A expressão, que pode ser traduzida como “abandonar”, representava o que faziam ao deixar as antigas profissões. Além disso, combinava com a palavra “pork” (carne de porco) e criava uma identidade própria para o negócio.

Modelo de venda direta aos clientes
Pouco depois de começar a produção, o casal lançou um programa de agricultura apoiada pela comunidade, conhecido como CSA. Nele, os clientes assinam contratos para receber cotas de carne de um porco inteiro. Cada entrega mensal contém 3 quilogramas de produtos variados, como cortes frescos, carnes moídas e itens defumados.
Segundo o casal, o modelo não tinha como objetivo oferecer descontos ou lucro rápido, mas fortalecer a relação com os clientes e educá-los. A estratégia permitia à dupla manter o fluxo de caixa sob controle e sustentar o negócio a longo prazo. Com cada entrega, eles incluíam sugestões de receitas para aproveitar ao máximo cada parte do animal.
Sustentabilidade e valor local
Um dos primeiros clientes, Gordon Cuff, estava disposto a pagar mais pelos produtos da fazenda porque valorizava o atendimento personalizado e a criação ética e sustentável. Para ele, manter o dinheiro circulando localmente era uma questão de comunidade e coesão social.
Enquanto Daniel se dedicava em tempo integral à criação, Kim continuava dirigindo um caminhão de coleta de lixo cinco dias por semana para ajudar a sustentar a fazenda em sua fase inicial.
Ambos viam o novo trabalho como diferente da vida anterior. Em vez de esperar pelo fim de semana para desfrutar do jardim, agora viviam na propriedade e se dedicavam ao propósito do negócio.
Planos para expansão e modernização
Daniel planejava construir uma sala de desossa na fazenda para processar a própria carne. Também pretendia montar uma cozinha comercial para produzir itens artesanais em pequenos lotes, usando técnicas tradicionais de cura seca. O plano retomaria o modelo antigo em que o agricultor fazia todo o trabalho, do animal ao produto final.
Kim, por sua vez, priorizava manter relações estáveis com os clientes e garantir a viabilidade ambiental e financeira do negócio. O objetivo era simples: ganhar o suficiente com a fazenda para viver dela, nada além disso.













