Krystal e Paul Caton encontraram uma nova utilidade para milhares de lichias que, apesar de próprias para o consumo, costumavam ser descartadas por apresentarem pequenas imperfeições na casca.
O casal cultiva cerca de 9 mil árvores da fruta em uma propriedade em South Yaamba, a aproximadamente 30 minutos de Rockhampton, no centro de Queensland, na Austrália.
Durante anos, o destino das lichias de terceira categoria era o rebanho bovino ou os próprios trabalhadores da fazenda.
As frutas tinham defeitos considerados apenas estéticos, enquanto a polpa permanecia intacta e adequada para o consumo.
A situação mudou quando os produtores decidiram buscar uma maneira de aproveitar esse excedente.
A solução surgiu por meio de uma parceria com a Reef Distillers, destilaria localizada em Yeppoon, que passou a transformar as lichias rejeitadas em uma bebida artesanal.
Lichia descartada transformada em bebida artesanal
A missão começou quando Krystal percebeu o desperdício sistemático, e ela relatou ao ABC estar vendo resíduos de suas lichias.
Embora representasse apenas um pequeno percentual, aquelas lichias já haviam sido colhidas das árvores, portanto as despesas já tinham sido gastas.
O casal desenvolveu uma bebida que aproveitava aquelas frutas com danos apenas cosméticos, mas polpa intacta.

Para produzir o primeiro lote, os Catons enviaram à destilaria 80 quilogramas de lichia congelada da temporada anterior. Cada garrafa contém 14 frutos.
A destilaria combina a lichia com álcool à base de grãos em um alambique de 500 litros chamado “Mr Bean”. O desenvolvimento do produto leva cerca de três a quatro meses.
Agregação de valor e sustentabilidade
A diversificação em bebidas alcoólicas reduz o desperdício e permite que os consumidores desfrutem da lichia o ano inteiro, não apenas durante a colheita de dezembro e janeiro. Também mantém o interesse do consumidor pela fruta ao longo do ano.
Um economista agrícola da CQUni observa que produtores que diversificam em novos produtos deixam de depender apenas dos preços do mercado e conquistam maior visibilidade sobre a origem da fruta.
A indústria hortícola costuma ficar saturada durante a colheita, quando os produtores vendem ao mesmo tempo, o que derruba os preços.
Transformar parte da produção em bebidas de valor agregado distribui a receita ao longo do ano e reduz o risco dessa queda sazonal.
Krystal participou do programa Nuffield Scholar em 2025, uma bolsa prestigiada na indústria agrícola. Sua pesquisa focou em como propriedades familiares podem agregar valor aos produtos.
Ao ABC, ela explicou que o objetivo é usar os ativos já disponíveis, identificar onde se perde valor e capturar parte dele para tornar o negócio mais resiliente e lucrativo e fazê-lo crescer.
Parcerias locais e crescimento regional
A Reef Distillers também trabalha com outros produtores locais para agregar valor a produtos como flores de abobrinha de Ayr e limões-caviar da Costa de Capricórnio.
O objetivo é levar ingredientes da região do Grande Barreira de Corais para os destilados e fortalecer as parcerias com agricultores e produtores locais.
Originária do sul da China há mais de 2 mil anos, a lichia passa a integrar a identidade de bebidas de Queensland.













