Uma fruta exótica que parece limão por fora, mas guarda pequenas “pérolas” de suco no interior, ganhou uma variedade desenvolvida no Brasil. Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, desenvolveram a Faustrime IAC 281, primeira cultivar brasileira de limão caviar registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC). O registro foi feito em 2023, e a expectativa é que a variedade chegue ao mercado ainda em 2026.
Conhecido internacionalmente como finger lime, o limão caviar é valorizado pela alta gastronomia e pode alcançar preços entre R$ 400 e R$ 1.200 por quilo, dependendo da oferta, da demanda, da qualidade e do período de comercialização.
A polpa única do limão caviar
O fruto chama atenção pela ausência de suco livre: em vez dos gomos tradicionais dos cítricos, sua polpa concentra o líquido em pequenas vesículas que se rompem quando mastigadas, liberando um sabor cítrico e levemente ácido.
O formato alongado do fruto apresenta tonalidades entre marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado. Essas características atraem chefs de alta gastronomia. A textura combina com preparos que valorizam pureza, contraste e precisão e realça o sabor de peixes brancos, vieiras e niguiris sem encobrir a identidade do ingrediente principal.
Produção precoce e resistência a doenças
- Origem: o IAC classifica a Faustrime como um híbrido de Microcitrus australasica × (Citrus aurantiifolia × Fortunella japonica).
- Tipo de fruto: pertence ao grupo conhecido como finger lime, embora não seja simplesmente uma variedade de Microcitrus australasica.
- Formato: frutos alongados, com cerca de 6 centímetros de comprimento e 3 centímetros de largura.
- Casca: apresenta coloração verde, que muda para amarelo durante a maturação.
Características para o cultivo:
- Porte: planta de porte baixo e crescimento denso.
- Espinhos: possui grande quantidade de espinhos.
- Floração: apresenta múltiplas floradas ao longo do ano.
- Produção: pode produzir mais de uma safra anual.
- Início da frutificação: em condições de Cordeirópolis (SP), os primeiros frutos podem aparecer a partir do segundo ano após o plantio.
- Pico produtivo: a planta atinge maior produção nos anos seguintes.
Tolerância a doenças:
- O IAC registra boa tolerância a doenças e pragas dos citros.
- O gênero Microcitrus desperta interesse em programas de melhoramento devido à maior tolerância ao HLB, conhecido como greening.
- Essa característica pode contribuir para pesquisas voltadas ao desenvolvimento de materiais genéticos mais tolerantes.
- O potencial inclui futuros cruzamentos e desenvolvimento de porta-enxertos mais resistentes aos problemas enfrentados pela citricultura.
Mercados internacionais e infraestrutura genética
O objetivo do IAC é inserir a cultivar em um nicho de mercado diferente daquele ocupado pelos limões tradicionais. A comercialização deve priorizar inicialmente grandes capitais brasileiras, onde está concentrada parte da demanda da alta gastronomia, mas também existem perspectivas de exportação para mercados como Estados Unidos, União Europeia e Japão.
A estrutura de pesquisa do IAC ajuda a sustentar esse trabalho. O Centro Avançado de Pesquisa e Desenvolvimento de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, mantém uma ampla coleção de recursos genéticos de citros utilizada em pesquisas e programas de melhoramento. Entre os materiais registrados pelo instituto está justamente a IAC 281 Faustrime, incluída no RNC.













