Uma batata-doce e sementes de grão-de-bico brasileiras já viajaram ao espaço como parte de uma pesquisa voltada ao desenvolvimento de alimentos para futuras missões. Em 14 de abril de 2025, materiais das duas culturas embarcaram na missão NS-31, da Blue Origin, que levou uma tripulação exclusivamente feminina ao espaço.
O experimento integra a Rede Space Farming Brazil, coordenada pela Embrapa em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e formada por pesquisadores de 22 instituições. A equipe busca analisar como plantas de interesse alimentar respondem à microgravidade e à radiação ionizante, condições presentes fora da Terra.
Além da exploração espacial, os resultados podem contribuir para a agricultura terrestre, com a identificação de características relacionadas à tolerância à seca, ao uso eficiente de água e energia e à adaptação a ambientes extremos.
Experimento Embrapa de cultivos resistentes ao espaço
A escolha das culturas considera rusticidade, valor nutricional e potencial de adaptação. A batata-doce tem crescimento relativamente rápido, aproveitamento de diferentes partes e compostos antioxidantes de interesse para ambientes com maior exposição à radiação. O grão-de-bico, por sua vez, é rico em proteínas, fibras e micronutrientes.
Na missão NS-31, foram enviadas:
- Batata-doce: cultivares Beauregard e Covington
- Grão-de-bico: BRS Aleppo, desenvolvida pela Embrapa
O material foi exposto à microgravidade durante o voo suborbital. Para cultivar alimentos na Lua ou em Marte, porém, será necessário superar radiação, temperaturas extremas, baixa disponibilidade de água e ausência de uma atmosfera adequada.
O que a radiação espacial revela
A microgravidade e a radiação podem alterar o funcionamento das plantas em níveis celular e molecular. Os cientistas vão comparar o material exposto ao voo com amostras mantidas na Terra para identificar mudanças que possam ser úteis ao melhoramento genético, como:
- maior tolerância à seca;
- uso mais eficiente de água e energia;
- adaptação a condições climáticas adversas.
O programa avança gradualmente, começando por simulações em laboratório, passando por voos suborbitais e experimentos em órbita terrestre, até chegar a testes que reproduzam condições lunares e marcianas e, futuramente, ao espaço profundo.
Outra frente é o desenvolvimento de sistemas agrícolas de ciclo fechado, nos quais água e resíduos sejam reaproveitados. A estratégia reduz a necessidade de transportar água, nutrientes e outros insumos da Terra e aumenta a autonomia das futuras bases espaciais.
Brasil participa do Programa Artemis
O Brasil tornou-se signatário dos Acordos Artemis em 15 de junho de 2021, sendo o 12º país a aderir ao documento e o primeiro da América do Sul. O acordo estabelece princípios para a exploração civil e pacífica da Lua, Marte, cometas e asteroides, com base no Tratado do Espaço Exterior de 1967.
Liderado pela NASA, o Programa Artemis busca ampliar a presença humana na Lua e usar o conhecimento obtido no satélite como preparação para futuras missões a Marte. Nesse contexto, a agricultura espacial brasileira aplica a experiência em melhoramento vegetal para desenvolver cultivos capazes de produzir alimento fora da Terra, reduzindo a dependência de cargas enviadas do planeta.













