Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí entram nas próximas semanas com atenção ao comportamento das chuvas. Os seis Estados estão entre as áreas produtoras que precisam acompanhar o clima durante o início da safra 2026/27 de soja. A irregularidade das precipitações pode atrasar a semeadura e comprometer o calendário das lavouras.
O cenário ganha atenção com o El Niño, que pode alterar a distribuição das chuvas durante a temporada. Para o produtor, não basta saber quanto vai chover. A frequência das precipitações também é importante para garantir umidade suficiente no solo durante a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas.
Estados atrapalhados
Mato Grosso começa o plantio com cautela:
- Área prevista: 13,05 milhões de hectares
- Produção estimada: 48,88 milhões de toneladas
- Produtividade: 62,44 sacas por hectare
- Plantio: iniciado em setembro, após o vazio sanitário
- Previsão de chuva: 30 a 50 mm em grande parte do Estado
Segundo o Imea, a produtividade projetada está abaixo das 66,29 sacas por hectare da safra anterior. As chuvas previstas pelo Inmet poderiam acelerar o plantio, mas a tendência de redução das precipitações depois dessa janela mantém a atenção sobre o calendário.
Goiás depende da regularização das chuvas:
- Principal fator: umidade do solo
- Risco: atraso na semeadura
- Efeito: impacto também sobre as culturas seguintes
Matopiba reúne quatro Estados:
- Estados: Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia
- Região: Matopiba
- Atenção: distribuição das chuvas
- Previsão: possibilidade de chuvas abaixo da média em partes do Nordeste
Embora façam parte do Matopiba, os Estados apresentam condições climáticas e calendários de semeadura diferentes. Para setembro, o Inmet indicava possibilidade de chuvas abaixo da média em partes do Nordeste, enquanto áreas do Centro-Oeste apresentavam condições distintas.
El Niño aumenta a incerteza
O El Niño pode alterar a distribuição das chuvas no Brasil e, no Centro-Oeste, aumentar o risco de períodos de estiagem durante o desenvolvimento da soja. O Imea já considera esse cenário nas projeções para Mato Grosso, com queda estimada de 5,19% na produção e de 5,43% na produtividade na safra 2026/27.
Para o produtor, não basta que a chuva chegue. Ela precisa ocorrer com frequência suficiente para manter a umidade do solo e garantir a germinação. Por isso, previsão meteorológica e condições do solo são acompanhadas em conjunto.
O momento do plantio também afeta o calendário do milho e do algodão de segunda safra, já que um atraso na soja pode reduzir a janela disponível para essas culturas.
Projeções ainda dependem do clima
A AgResource estima uma produção brasileira de 184,1 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27. A consultoria calcula, porém, que os possíveis efeitos do El Niño podem retirar aproximadamente 4,9 milhões de toneladas do potencial produtivo inicialmente considerado.
As estimativas ainda podem mudar conforme o comportamento das chuvas. O resultado dependerá da área efetivamente plantada, da produtividade e das condições climáticas durante o ciclo.













