Rajwinder Singh Dhaliwal tinha 33 anos quando sua família se mudou para os Estados Unidos, em 2007. Em 2017, retornou para cultivar cana-de-açúcar organicamente em terras ancestrais.
Trabalhou como motorista de caminhão, cursou hotelaria e tornou-se chef de sucesso. Depois, sentiu falta das raízes indianas e decidiu voltar.
Ao The Better India, Rajwinder disse que a exposição à cultura, ao sistema familiar e ao estilo de vida americanos o ajudou a entender aquelas pessoas, mas o fez perceber que valorizava mais a cultura indiana e queria retornar às suas origens.
Ao chegar, abriu uma pizzaria com múltiplas filiais em Punjab a partir de 2013, expandindo o negócio com sua própria marca.
Cana-de-açúcar orgânica cultivada em terras ancestrais
Apesar de ganhar bem com a empresa, Rajwinder explicou ao The Better India que o trabalho vinha acompanhado de muito estresse e burocracia governamental. Para ele, a agricultura era pacífica e independente.
Sua família praticava agricultura com produtos químicos, mas ele queria experimentar o cultivo orgânico por razões de saúde. Em 2017, aos 47 anos, Rajwinder encerrou o restaurante.
Em seguida, mudou-se para a aldeia de Lohara para experimentar a agricultura orgânica em 8 acres de terra ancestral.
Nunca havia trabalhado em lavoura, mas, pelas redes sociais, encontrou agricultores orgânicos que o orientaram nos estágios iniciais.
Também recebeu apoio de ONGs e visitou outras propriedades.
Inovação nas técnicas de cultivo
Ele gastou quase um ano preparando 6 acres e introduzindo esterco de vaca, composto e outras matérias orgânicas.
Segundo Rajwinder, levou meses para gerar a quantidade certa de bactérias e matéria orgânica que facilitariam o crescimento das plantas.
Não imitou métodos específicos de outros, mas criou um sistema ajustado às suas necessidades.
Inicialmente plantou cana-de-açúcar em 2 acres, complementando com frutas como goiaba, sapoti, ameixa, pera, tangerina, romã e outras variedades.
Identificou 23 variedades de frutas e plantou 3 mil delas, além de batata, alho, mostarda, cebola, rosa e outras plantas sazonais.
As árvores frutíferas, ainda jovens, podem proporcionar renda adicional no futuro, enquanto as hortaliças sazonais permitem fluxo de caixa regular durante todo o ano.
Redução de água e processamento de valor agregado
Rajwinder escolheu as variedades de cana 64, 89.003, 85 e 88, adequadas para produzir açúcar e melado.
Utilizou cobertura morta, irrigação por gotejamento, decompositor orgânico e equipamentos modernos para reduzir em 75% o consumo de água em comparação com os métodos tradicionais de cultivo.
Em vez de vender melado convencional a 310 rúpias por quilo, ele agrega valor ao produto com gergelim, frutas secas, cúrcuma, manjericão sagrado, ajwain, funcho e moringa.
O melado processado é oferecido a 370 rúpias por quilo, tornando o produto mais rentável. Ele também processa açúcar refinado e mascavo, vendendo este último a 140 rúpias por quilo.
Lucros que justificam a mudança
Hoje, Rajwinder cultiva seis acres com métodos integrados de agricultura. A produção de cana cresceu para 12 toneladas ao ano, e ele obtém 8 lakh de rúpias anuais apenas com a venda de melado.
O rendimento total anual da operação é de 12 lakh de rúpias, 40% acima do obtido por um agricultor convencional na mesma área.
A combinação entre cultivos sazonais, frutas em desenvolvimento e produtos processados com valor agregado criou uma operação agrícola diversificada e rentável.
Sua jornada mostra que a agricultura orgânica, combinada com inovação, redução de 75% no consumo de água, processamento de alimentos e criação de produtos diferenciados, pode render tanto ou mais que negócios urbanos convencionais.
A atividade também oferece a paz e a independência que ele buscava ao abandonar a cozinha.













