O Brasil avançou nas negociações com a União Europeia para a retomada das exportações de carne de frango.
O bloco europeu aceitou formalmente as propostas apresentadas pelo governo brasileiro sobre os protocolos sanitários exigidos para os embarques, criando uma expectativa para o encerramento do embargo que interrompeu as vendas ao mercado europeu em 3 de setembro.
A confirmação foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Oliveira Soares, durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, realizado em São Paulo.
Apesar do avanço, ainda há uma etapa a ser concluída antes da normalização dos embarques. A expectativa agora está concentrada na publicação do relatório oficial elaborado pelos técnicos europeus após as inspeções realizadas no país.
Inspeções europeias validaram protocolos Brasileiros
De agosto a setembro, auditores europeus percorreram granjas e plantas frigoríficas no Brasil para avaliar diretamente os sistemas de controle.
Os inspetores examinaram a rastreabilidade dos lotes, os processos de biosseguridade, as operações industriais e a força da fiscalização oficial, tudo isso em visitas estratégicas pelas principais cooperativas e agroindústrias do Paraná, principal estado exportador de aves para a Europa.
Essas verificações presenciais são o fundamento técnico que permite aos europeus confiar nos procedimentos brasileiros.
Agora, aguarda-se a publicação oficial do relatório europeu, que deve desbloquear formalmente os despachos portuários.
Paraná sente o peso financeiro do embargo
O estado responde por aproximadamente 5% de toda a carne que sai pelos portos brasileiros destinada à União Europeia.
Em 2025, o Paraná vendeu 118,7 mil toneladas de frango ao bloco (US$ 382 milhões) e 1,4 mil toneladas de bovino (US$ 10,2 milhões).
No primeiro semestre de 2026, os números caíram para 78,7 mil toneladas de frango (US$ 224 milhões) e apenas 643 toneladas de bovino (US$ 4,6 milhões).
Embargo pressiona cadeia de proteínas
A suspensão dos embarques impõe um custo estimado em mais de US$ 392,2 milhões anuais ao setor de proteína animal do estado.
Cooperativas integradoras enfrentam pressão no fluxo de caixa, enquanto o mercado interno pode ser saturado com carne congelada que deixou de ser exportada.
A finalização do veto é considerada estratégica para manter a saúde financeira de quem produz aves no sul do país.













