A ferrugem-asiática voltou a preocupar produtores antes do início da safra 2026/27. O Consórcio Antiferrugem registrou 379 ocorrências na safra 2025/26, contra 124 no ciclo anterior, mais de três vezes o número anterior.
Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a doença provoca desfolha precoce e prejudica o enchimento dos grãos. Sem controle, as perdas podem chegar a 90% da produtividade, segundo a Embrapa.
O plantio começa em setembro em parte do Centro-Oeste: Mato Grosso a partir do dia 7, Mato Grosso do Sul no dia 16 e Goiás no dia 25. Em Minas Gerais e no Distrito Federal, a semeadura começa em 1º de outubro.
Calendário nacional busca conter a ferrugem-asiática
O Ministério da Agricultura e Pecuária definiu o calendário na Portaria 1.579/2026, que estabelece as datas do vazio sanitário e da liberação da semeadura para cada região na temporada 2026/27. A regra proíbe manter plantas vivas de soja no campo durante o período determinado, incluindo as chamadas tigueras ou guaxas, que nascem sozinhas após a colheita.
A regra busca romper a chamada ponte verde entre uma safra e outra. Sem soja disponível para hospedar o fungo durante algumas semanas, cai a quantidade de inóculo capaz de atingir as lavouras recém-plantadas e iniciar novas infecções logo no começo do ciclo.
Fungicidas enfrentam resistência
O controle químico também se tornou mais difícil. A Embrapa registra redução da sensibilidade do fungo aos principais grupos de fungicidas utilizados contra a ferrugem. O uso repetido dos mesmos mecanismos de ação aumenta a pressão de seleção e favorece populações menos sensíveis.
Por isso, o manejo deve combinar rotação de mecanismos de ação, misturas adequadas, monitoramento das lavouras e eliminação de plantas voluntárias.
Entressafra ajuda a proteger a próxima safra
O período sem cultivo também permite eliminar plantas de soja remanescentes, controlar plantas daninhas, revisar máquinas e planejar o manejo fitossanitário. Quanto menor a presença do fungo na entressafra, maior a chance de retardar sua chegada à nova lavoura.
Com o aumento expressivo dos casos registrados na temporada anterior, o cumprimento do vazio sanitário e o monitoramento desde o início do ciclo serão fundamentais para limitar a disseminação da ferrugem e preservar a produtividade.













