O fenômeno climático El Niño não deve pressionar os preços dos alimentos brasileiros nos próximos meses, embora tenha mais de 90% de probabilidade de ser muito forte no outono e no inverno do Hemisfério Norte de 2026. A avaliação leva em conta o aumento esperado na oferta de grãos e um conjunto de políticas públicas voltadas à estabilização de custos.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, apresentou essa perspectiva em coletiva de imprensa nesta terça-feira (22), ao divulgar resultados de um leilão de milho realizado neste mês. Ela informou que a queda nos preços já aparece em 25 das 27 capitais pelo terceiro mês consecutivo, sinalizando estabilidade mesmo em contexto inflacionário.
Safras recordes e políticas de proteção
Colheitas recordes de todos os grãos devem garantir oferta interna robusta de alimentos e amenizar pressões inflacionárias nos próximos meses.
Esse cenário oferece um contrapeso aos possíveis impactos climáticos do El Niño, que tende a trazer mais chuva para o Sul. E menos precipitação para o Norte e o Nordeste, repetindo o padrão observado em 2024, mas com intensidade ainda maior.
O governo reativou mecanismos tradicionais de controle de preços, segundo Machiaveli, com destaque para a subvenção. A ferramenta garante preços mínimos aos consumidores e estimula produtores a permanecerem no mercado mesmo quando as cotações internacionais caem. Além disso, políticas de formação de estoques e crédito direcionado completam o pacote de medidas de proteção à disponibilidade de alimentos.
Monitoramento ampliado e resiliência regional
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ampliou seu acompanhamento de preços com o apoio do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Agora, o monitoramento cobre 27 capitais, em vez de 17, segundo informou o presidente da Conab, Silvio Porto. A expansão permite captar variações regionais do mercado e antecipar oscilações antes que elas se generalizem pelo país.
Para reduzir riscos de desabastecimento em regiões vulneráveis, o governo antecipa a compra e a distribuição de cestas de alimentos. A região Norte, onde o transporte depende da navegabilidade dos rios, recebe atenção especial, com estoques pré-posicionados nas comunidades. O Sul, propenso a enchentes, também entra no plano preventivo.
A estratégia busca reduzir ao mínimo o risco de falta de alimentos durante possíveis disrupções climáticas.













