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El Niño pode antecipar em 10 anos o calor previsto para o planeta e tornar 2027 o ano mais quente da história

Por Yasmin Henrique
21/08/2026
Antecipar calor previsto planeta tornar

Foto: divulgação/ESA

Um El Niño que já apresenta características excepcionais pode fazer de 2027 o ano mais quente desde o início dos registros, ao somar seu efeito temporário de aquecimento à elevação contínua das temperaturas provocada pelas emissões de gases de efeito estufa. Modelos climáticos indicam que o fenômeno pode levar a temperatura média global a níveis que, sem esse impulso, só seriam alcançados vários anos depois.

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Na prática, o fenômeno pode funcionar como uma espécie de “máquina do tempo climática”. A combinação entre El Niño e aquecimento global pode levar a temperatura média do planeta em 2027 para cerca de 1,76°C acima do período pré-industrial. 

Esse nível seria aproximadamente 0,29°C superior ao esperado apenas pela tendência recente de aquecimento, antecipando em cerca de sete a 13 anos temperaturas que poderiam se tornar comuns entre 2034 e 2040.

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O que esperar em 2026 e 2027

Os primeiros seis meses de 2026 foram o terceiro início de ano mais quente já registrado. Ficaram cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, atrás apenas de 2024 e 2025.

O desenvolvimento rápido do El Niño elevou a probabilidade de 2026 estabelecer um novo recorde global de 35%, ante apenas 19% em abril. O mês de junho foi particularmente intenso: foi o segundo mais quente já registrado globalmente e o mais quente para a Europa Ocidental, com ondas de calor quebrando centenas de recordes individuais. Quase 9% da superfície terrestre experimentou temperaturas recordes em junho.

Força do fenômeno e impactos em 2027

Segundo a NOAA, há 69% de probabilidade de que este seja o episódio mais forte desde o início das medições em 1950. O serviço de meteorologia britânico (Met Office) alertou que o evento tenderá a ser o mais severo em mais de um século.

Por isso, o fenômeno deve provocar secas drásticas na América do Sul e no oeste do Pacífico. O ápice dos impactos do El Niño ocorre no ano seguinte ao seu surgimento. Na avaliação de climatologistas, o efeito do fenômeno deve elevar em cerca de 0,3°C, na média, a temperatura global de 2027.

De 667 simulações de modelo examinadas, 91% projetam um pico acima do mais forte El Niño no registro moderno. Quando se usa a medida relativa de anomalia (RONI), 77% dos modelos ainda indicam um novo recorde.

Como El Niño amplifica a crise climática

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento da superfície no centro e no leste do Oceano Pacífico Equatorial. Quando os ventos de leste se enfraquecem e as águas quentes se deslocam, ocorre essa variação natural do clima.

Quando essas temperaturas elevadas persistem por meses, a dinâmica de tempestades em escala global se altera. Embora cientistas debatam se o aquecimento global altera a dinâmica própria do fenômeno, há consenso de que a crise climática amplia seus impactos.

A atmosfera aquecida retém mais umidade, tornando as chuvas geradas pelo fenômeno mais intensas. O resultado é seca em algumas regiões e chuvas extremas em outras, em padrões que tendem a se intensificar conforme o planeta aquece.

Pontos-chave
El Niño excepcional e seus impactos
✓
El Niño excepcional pode fazer de 2027 o ano mais quente desde o início dos registros.
✓
Combinação de El Niño e aquecimento global pode elevar a temperatura média de 2027 para cerca de 1,76°C acima do pré-industrial.
✓
Efeito do fenômeno deve acrescentar cerca de 0,3°C à temperatura média global de 2027, antecipando níveis previstos para 2034–2040.
✓
Modelos indicam alta probabilidade de um episódio muito forte: 69% segundo a NOAA; 91% das 667 simulações projetam pico acima do maior El Niño moderno.
✓
Impactos previstos: secas drásticas na América do Sul e oeste do Pacífico, e padrões de chuva intensificados globalmente.

Impactos esperados no Brasil

No Brasil, os efeitos variam conforme a região. O Painel El Niño 2026 e 2027, formado por INPE, INMET, CEMADEN, ANA, SGB e Defesa Civil, aponta maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e precipitações abaixo da média no centro-norte do país. As temperaturas também tendem a ficar acima da média no segundo semestre de 2026, aumentando o risco de ondas de calor e incêndios florestais.

A NOAA prevê que o fenômeno persista pelo menos até março de 2027. Para o Brasil, a agência aponta possibilidade de continuidade das chuvas acima da média no Sul e de precipitações mais irregulares e abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste a partir de outubro.

Os impactos também podem alcançar a agricultura. Algumas culturas podem ser beneficiadas pela distribuição de chuvas, enquanto o aumento das temperaturas e a irregularidade das precipitações podem prejudicar pastagens e interferir na preparação das próximas safras.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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