Aos 67 anos, Santos Becerra mantém uma rotina marcada pelo trabalho manual, pela produção de alimentos e pela ligação com a terra no departamento de San Javier, na província argentina de Córdoba.
Morador da região de Traslasierra, ele construiu a vida no mesmo território onde nasceu e cresceu.
Desde a adolescência, aprendeu atividades que continuam fazendo parte de seu cotidiano, mantendo uma rotina distante do ritmo acelerado dos centros urbanos.
A trajetória de Becerra foi registrada pelo canal do YouTube Monte Adentro – De Música Rutera e apresenta um modo de vida baseado nos costumes rurais e na autonomia proporcionada pelo trabalho no campo.
Uma vida construída no campo
Becerra nasceu na região de San Javier e nunca deixou as terras onde passou a infância. Aos 13 anos, começou a trabalhar como peão e aprendeu atividades que posteriormente se tornaram parte de sua fonte de renda.
Ele frequentou a escola até a sétima série, último ano oferecido na região naquele período, enquanto conciliava os estudos com o trabalho.
O próprio morador conta que tinha dificuldades de memorização, mas continuou desenvolvendo os conhecimentos adquiridos na prática.
Décadas depois, Becerra afirma estar satisfeito com a vida que construiu. Segundo o registro do canal, ele diz que não gostaria de voltar aos 20 anos e que continua trabalhando, ativo e se sentindo bem.
Produção própria de alimentos
A relação com a terra também aparece na maneira como Becerra obtém parte dos alimentos que consome. Para ele, cultivar a própria comida representa mais do que uma alternativa econômica.
O morador considera que produzir os próprios alimentos permite acompanhar sua origem e ter maior controle sobre a qualidade do que chega à mesa.
Becerra também critica a dependência das compras em estabelecimentos comerciais e questiona a procedência de determinadas carnes comercializadas em açougues.
Entre os alimentos que considera boas opções estão carnes de burro, cabrito e ovelha.
Tijolos de adobe feitos à mão
A principal atividade desenvolvida por Becerra ao longo das décadas foi a fabricação artesanal de tijolos de adobe. O ofício aprendido ainda na adolescência continua sendo realizado de forma manual.
O processo começa com a preparação do material nas olarias. Depois, os tijolos são transportados até um forno de campo, onde passam pelo processo de queima em temperaturas que podem chegar a 800 graus.
O trabalho exige adaptação às condições climáticas da região. Durante o inverno, Becerra planeja preparar e cortar os tijolos para que possam ser queimados ao longo do verão, período considerado mais adequado para essa etapa.
Da utilização da pá na preparação do material à organização dos tijolos dentro do forno, praticamente todas as etapas são executadas manualmente.
Outros trabalhos no interior
Ao longo da vida, Becerra também experimentou outras atividades comuns no interior de Córdoba. Entre elas está a coleta de ervas medicinais, prática que depende diretamente das condições climáticas.
Em períodos de seca, como o atual, a disponibilidade de determinadas plantas diminui e dificulta esse tipo de trabalho.
Ele também aprendeu a trabalhar com couro, mas acabou deixando a atividade de lado por considerar que o retorno financeiro não compensava o esforço.
Para o morador de San Javier, permanecer no campo representa também preservar uma forma de vida marcada pela autonomia, pelo trabalho manual e pelo aproveitamento dos recursos disponíveis no próprio território.













