O El Niño 2026/27 deve produzir efeitos muito diferentes sobre a agricultura dos Estados Unidos e do Brasil. Enquanto o fenômeno tende a trazer mais umidade para partes do território americano durante o período de menor atividade agrícola, no Brasil pode coincidir com fases decisivas da safra de verão.
A NOAA estima atualmente mais de 90% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e janeiro, além de 69% de probabilidade de alcançar nível histórico entre outubro e dezembro.
Nos Estados Unidos, o impacto sobre as principais lavouras tende a ser limitado porque a intensificação do El Niño ocorre durante o outono e inverno do Hemisfério Norte, quando grande parte da safra de grãos já foi colhida.
El Niño ameaça Brasil
No Brasil, o El Niño pode coincidir com o plantio e desenvolvimento da safra 2026/27, sobretudo no Centro-Oeste e Norte. O Cemaden prevê maior chance de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal no centro-norte.
Os principais riscos são:
- atraso e irregularidade das chuvas;
- menor umidade do solo;
- calor em fases críticas;
- queda de produtividade;
- redução da janela do milho segunda safra;
- maior risco de incêndios;
- impactos em pastagens e reservatórios.
O Centro-Oeste concentra uma das maiores preocupações. Mato Grosso, Goiás e áreas próximas podem enfrentar calor e deficiência hídrica na transição entre a seca e o início das chuvas. Já há registros de seca moderada e severa no oeste do Tocantins, sul de Goiás, leste de Mato Grosso e oeste de Minas Gerais.
Para soja e milho, atrasos nas chuvas podem reduzir a janela da soja e comprometer o calendário do milho segunda safra. O calor também aumenta a evapotranspiração e pode acelerar o ciclo das plantas.
No Sul, mais chuva pode beneficiar culturas de inverno, mas também favorecer doenças, dificultar operações e aumentar o risco de excesso de umidade. No Norte e Nordeste, calor e menor precipitação podem reduzir a umidade do solo e afetar lavouras e pastagens.
Risco à produtividade, não ao volume
Apesar do alerta, ainda não é possível prever uma quebra generalizada da safra brasileira. O impacto dependerá da intensidade do El Niño, da distribuição das chuvas e da adaptação dos produtores ao calendário agrícola.
A principal preocupação está na produtividade, que pode cair mesmo sem redução da área plantada diante de:
- déficit hídrico;
- calor extremo;
- chuvas irregulares;
- redução da janela de plantio;
- problemas no desenvolvimento das plantas.
A situação financeira amplia a vulnerabilidade. Custos elevados, crédito caro e margens pressionadas podem limitar investimentos em irrigação, fertilização e tecnologias de monitoramento climático.













