Em quatro décadas, a paisagem da Mata Atlântica mudou profundamente. Entre 1985 e 2025, a agricultura mais que dobrou de tamanho no bioma, passando de 9,7 milhões para 20,5 milhões de hectares. No mesmo período, 9,7 milhões de hectares de vegetação madura desapareceram. Os dados são da Coleção 11 do MapBiomas, divulgada em 21 de setembro, Dia da Árvore.
O avanço das lavouras, porém, não significa que toda essa área tenha sido aberta diretamente sobre a floresta. 79% da expansão agrícola ocorreu sobre pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período.
Onde a lavoura tomou o lugar da Mata
Entre as principais culturas:
- Soja: ganhou 8,7 milhões de hectares e chegou a 11,11 milhões em 2025, 4,6 vezes a área de 1985.
- Cana-de-açúcar: avançou 5 milhões de hectares, alcançando 6,15 milhões, 5,3 vezes a área inicial.
- Café: a Mata Atlântica concentrava 68% dos cafezais mapeados no Brasil, com 833 mil hectares.
- Citrus: o bioma reunia 34% da área nacional, com 141 mil hectares.
- Silvicultura: cresceu 3,8 milhões de hectares, chegando a 4,9 milhões em 2025.
Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% das áreas de soja e metade das áreas de cana-de-açúcar mapeadas no país. Ao mesmo tempo, a vegetação nativa ocupava 32% do território do bioma, enquanto a agropecuária respondia por 63%.
Ritmo de destruição diminuiu, mas segue ativo
A história, entretanto, não é apenas de perda. Mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária se formaram desde 1985 em áreas que haviam sido desmatadas. Atualmente, aproximadamente um quarto da vegetação nativa existente no bioma é secundária, resultado de regeneração natural ou restauração.
Essa recuperação ajudou a reduzir o saldo negativo. Considerando a vegetação madura perdida e as áreas que voltaram a crescer, a Mata Atlântica teve uma perda líquida de 5 milhões de hectares de vegetação nativa em 41 anos.
Mas a regeneração continua vulnerável. Entre 2021 e 2025, 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa foram suprimidos, sendo 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil de vegetação madura. Assim, 60% da supressão recente atingiu áreas que haviam voltado a crescer.
O ritmo de perda diminuiu ao longo das décadas. Desde os anos 2000, nenhum período de cinco anos registrou mais de 2 milhões de hectares de vegetação suprimida. Rio de Janeiro e São Paulo foram os únicos estados sem perda líquida de vegetação nativa na série de 1985 a 2025.













