A história da arena da Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, está ligada a uma parceria entre o arquiteto Oscar Niemeyer e o então presidente de Os Independentes, Mussa Calil Neto.
A obra da arena idealizada por Oscar Niemeyer levou 81 dias e noites seguidos de trabalho, sendo aberta ao público em 21 de agosto de 1989.
Oscar Niemeyer perguntou como alguém poderia pedir um trabalho sem remuneração. Diante disso, Niemeyer se emocionou e topou fazer o projeto.
Passados dois meses, o escritório de Niemeyer no Rio de Janeiro entrou em contato com Mussa para avisar que o material já estava finalizado.
Nele constavam a arena de rodeios, o museu e a esplanada do que viria a ser o Parque do Peão, tudo entregue de graça.
Arena de rodeios idealizada por Oscar Niemeyer
A transferência da Festa do Peão de Barretos para uma área afastada do Centro da cidade provocou polêmica.
O Recinto Paulo de Lima Correa, onde o evento funcionava desde 1956, tornara-se insuficiente. A Festa, que começou com três mil pessoas, havia crescido para trinta mil três décadas depois.
Em 1984, a última edição no espaço antigo ocorreu sob chuva, frio, vento e garoa. As tábuas das arquibancadas voaram, e a segurança ficou comprometida. As estruturas cresciam apenas para cima e se tornavam perigosas com o vento.
Por isso, Mussa anunciou que a próxima Festa seria realizada na área de 40 alqueires de cerrado que o clube havia adquirido às margens da Rodovia Brigadeiro Faria Lima.
Niemeyer desenha o futuro do evento
Em 1985, a primeira edição na nova casa recebeu a 30ª Festa do Peão. As arquibancadas da arena comportam 35 mil pessoas sentadas.
Quando o espaço no chão é aberto e somado aos camarotes erguidos com o passar dos anos, grandes nomes do sertanejo já se apresentaram para plateias de até 60 mil pessoas.
A construção do estádio de rodeios começou em 1º de junho de 1989, com 700 trabalhadores em regime ininterrupto.
Eles removeram 160 mil metros cúbicos de terra para dar forma à ferradura do estádio. Em 21 de agosto de 1989, o público entrou pela primeira vez na arena.
Legado de ousadia e visão
Durante a gestão de Mussa, o evento ganhou dimensões que extrapolaram o rodeio tradicional. Em 1984, foi criado o Museu do Peão de Boiadeiro.
Também surgiram atrações que permaneceram, como a Festa do Peãozinho, inicialmente realizada sob a lona de um circo alugado e hoje transformada em parque próprio.
O acervo artístico do parque reúne obras de artistas plásticos como Aldemir Martins, Tomie Ohtake, Claudio Tozzi e o próprio Oscar Niemeyer, e as obras documentam décadas de história da celebração.
A Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, considerada a primeira do gênero no Brasil e o maior rodeio da América Latina, completou 71 anos neste mês de agosto.
Mais de três décadas após sua inauguração, a arena permanece como um dos principais cartões-postais do Parque do Peão.













