A partir de 3 de setembro, o Brasil poderá deixar de estar entre os países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia. A medida, prevista no Regulamento de Execução UE 2026/1189, envolve carne bovina, equina e de aves, produtos de aquicultura, mel e envoltórios naturais.
A decisão está ligada às regras europeias sobre antimicrobianos, que restringem determinadas substâncias para promoção de crescimento ou produtividade e reservam outras ao tratamento de infecções humanas.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de conformidade. O governo brasileiro adotou novos procedimentos para atender às exigências e garantir a certificação sanitária dos produtos destinados ao bloco.
Enquanto a disputa avança, o boi gordo permanece valorizado no mercado brasileiro. Segundo o Cepea, o cenário é sustentado pelo ritmo das exportações, pela oferta equilibrada de animais prontos para abate e pela valorização dos bezerros para reposição.
O Indicador do Boi Gordo CEPEA estava em R$ 348,30 por arroba em 6 de agosto, com alta de 0,50% no mês. Mesmo que parte da carne destinada à Europa seja redirecionada ao mercado interno, a oferta limitada de gado pode dificultar uma queda expressiva dos preços.
Disputa antiga por trás da barreira de carne
Produtores europeus reclamam há anos de concorrência considerada desigual com fornecedores de fora do bloco. Segundo eles, normas ambientais e trabalhistas mais pesadas encarecem a produção local frente à de países como o Brasil.
Esse desconforto já havia alimentado resistência ao acordo entre Mercosul e União Europeia. Permanece em aberto se a exigência sanitária protege apenas a saúde pública ou também resguarda o mercado europeu.
Brasil precisa comprovar controles sanitários
A restrição europeia ocorre em meio a uma disputa antiga sobre as condições de produção agropecuária. Produtores do bloco reclamam da concorrência de países com custos menores e defendem exigências mais rígidas para os produtos importados.
O cenário também afeta as relações comerciais entre Mercosul e União Europeia, já que o acesso ao mercado europeu é estratégico para o agronegócio brasileiro. A nova exigência cria uma barreira adicional justamente em um mercado relevante para as exportações.
A decisão, porém, pode ser revertida. Para isso, o Brasil precisa apresentar evidências e garantias de conformidade com as regras europeias sobre antimicrobianos. Entre as medidas adotadas estão:
- Fiscalização: adaptação dos procedimentos de controle dos produtos destinados ao bloco;
- Certificação: adequação dos documentos e processos sanitários às exigências europeias;
- Comprovação: apresentação de dados capazes de demonstrar a conformidade dos sistemas brasileiros;
O resultado dessas medidas será determinante para definir se os embarques brasileiros continuarão normalmente ou sofrerão interrupções após a entrada da nova regra em vigor.
O que pode acontecer com o preço no Brasil
O impacto nos supermercados dependerá de como os frigoríficos reorganizarão as exportações. Se a carne que deixaria de seguir para a Europa for absorvida por outros mercados, o efeito no mercado interno pode ser limitado.
Caso parte do volume seja redirecionada ao Brasil, o aumento da oferta pode pressionar os preços para baixo. Por outro lado, uma oferta restrita de gado e a demanda externa elevada podem manter as cotações firmes.
O preço ao consumidor dependerá de fatores como oferta de animais, exportações, demanda interna, câmbio, custos dos frigoríficos e capacidade de encontrar novos destinos para a carne. Por isso, a restrição europeia não significa, sozinha, que o produto irá disparar nas prateleiras.
O mercado pecuário já apresenta oferta relativamente ajustada. O abate elevado de fêmeas nos anos anteriores reduziu a disponibilidade para reposição no primeiro trimestre, enquanto a entrada de bovinos terminados a pasto ampliou a oferta em algumas regiões.













