Uma das fabricantes mais tradicionais de colheitadeiras da Argentina mudou de mãos por um valor simbólico após atravessar uma grave crise financeira. A Vassalli Fabril, fundada em 1949 em Firmat, na província de Santa Fé, foi transferida em 26 de agosto para um grupo empresarial liderado por Roberto Santiago Chinelli por apenas US$ 1, cerca de R$ 5,15 na cotação comercial daquele dia. Em contrapartida, os novos controladores assumiram os passivos acumulados pela companhia.
Chinelli já havia trabalhado como gerente-geral da própria Vassalli e agora retorna ao comando de uma fábrica praticamente paralisada. A empresa acumulava salários atrasados há dez meses, problemas com fornecedores e encomendas pendentes há quase dois anos.
Fundada por Roque Vassalli, a companhia se tornou referência argentina em máquinas agrícolas e, nos anos 1960, chegou a vender cerca de mil unidades por ano. A crise financeira se agravou em 2018, quando o passivo superou 547 milhões de pesos argentinos, levando a empresa ao concurso preventivo. Em 2020, a Financiamiento Estratégico SA assumiu o controle, reativou a fábrica e homologou um plano de recuperação.
A debacle dos últimos anos e a transição de comando
- Crise do mercado: A partir de 2023, seca severa, falta de financiamento, instabilidade cambial e inflação reduziram a demanda por máquinas agrícolas na Argentina. A Vassalli deixou de aceitar novas encomendas e passou a priorizar pedidos antigos.
- Mudança de controle: Em 2024, a família Marsó, produtora rural de Entre Ríos com atuação na avicultura, comprou a empresa por cerca de US$ 8 milhões. Após quase um ano de conflitos, o controle acabou transferido para Roberto Santiago Chinelli e associados.
- Dívidas: Em junho de 2026, a empresa acumulava 869 cheques rejeitados, somando 1,337 bilhão de pesos argentinos. O passivo também inclui débitos trabalhistas, comerciais e financeiros.
- Funcionários: A Vassalli tinha cerca de 280 empregados, mas o quadro caiu para pouco mais de 200 em agosto, após trabalhadores deixarem a empresa diante dos atrasos salariais.
- Transferência: A conclusão da operação dependia de aprovações de terceiros, com previsão de formalização em até cinco dias úteis.
Perspectivas de recuperação e calendário de reativação
A nova administração planeja retomar gradualmente as operações nas três plantas de Firmat. Segundo o comunicado da transação, o pessoal retomaria a jornada completa a partir de 10 de agosto, embora atualmente trabalhe apenas quatro horas por dia. O objetivo declarado é restabelecer a plena atividade industrial a partir de novembro.
Quanto às dívidas trabalhistas deixadas pela gestão anterior, a nova administração se comprometeu a quitar, nos próximos 120 dias, as remunerações devidas entre setembro de 2025 e junho de 2026. O salário de julho seria pago 24 horas após a aceitação formal da operação acionária pelos terceiros envolvidos, prevista para a semana seguinte.













