Um agricultor do norte de Queensland, na Austrália, encontrou uma maneira pouco convencional de controlar o crescimento do mato em sua propriedade: colocou 50 porquinhos-da-índia para circular entre as árvores.
Em apenas uma semana, os pequenos roedores conseguiram reduzir significativamente a vegetação rasteira.
A experiência foi adotada por John Gargan, produtor de Mutchilba, região localizada a oeste de Cairns, onde ele trabalha com a terra há seis décadas.
Para manter os animais concentrados nas áreas determinadas, o agricultor instalou cercas especiais que se estendem por centenas de metros ao longo das fileiras de árvores.
Uma alternativa aos animais tradicionais
Cabras, ovelhas e vacas costumam ser usadas para conter o crescimento de ervas daninhas em propriedades rurais.
O problema é que os cascos desses animais compactam e desgastam o solo, prejudicando a terra a longo prazo.
As cabras, em especial, têm fama de devorar árvores, frutas e plantações que o produtor prefere manter intactas.
Foi pensando nessa limitação que Gargan decidiu apostar em bichos de porte bem menor para fazer o trabalho pesado no pomar.
Como surgiu a ideia dos roedores
A solução surgiu de madrugada, quando o agricultor percebeu que os porquinhos-da-índia não escalam nem cavam buracos, o que facilitaria mantê-los contidos dentro dos cercados.
O capim da região, da espécie humidicola, cresce rapidamente e exige esforço extra para ser controlado.
Ele avaliou que, se os roedores conseguissem manter essa vegetação sob controle, o ganho de tempo valeria a tentativa.
Os cercados receberam bebedouros e abrigos feitos de telha ondulada, paletes de madeira e tubos de plástico, onde os animais podem se esconder de aves de rapina.
Cuidados para proteger o novo rebanho
Abrigos extras foram colocados perto dos pés de abacaxi e das árvores mais jovens, evitando que os porquinhos mordiscassem essas plantas específicas.
No restante da área, porém, eles têm deixado as plantações intocadas e se concentrado apenas no mato.
Para reduzir o risco de ataques de predadores, o produtor cogita instalar armadilhas para gatos e eletrificar a parte superior do arame dos cercados, uma medida que ajudaria a afastar cobras.
Machos e fêmeas permanecem separados até que novos espaços sejam construídos para acomodar o crescimento da população.
A expectativa é que, com mais roedores circulando pela propriedade, algumas perdas para predadores sejam inevitáveis.
Ainda assim, a avaliação é que isso não deve comprometer o resultado geral, já que a reprodução da espécie tende a recompor rapidamente o grupo.
Gansos também entram na rotina da fazenda
Os porquinhos não são os únicos ajudantes fora do comum na propriedade. Em um cercado à parte, um bando de gansos vem sendo usado para transformar plantas de cobertura, como o cânhamo-do-sol, em adubo natural para o solo.
Diferentemente de animais maiores, os gansos não compactam a terra: ao caminhar pela área onde trabalham, deixam o solo macio e esponjoso, como um colchonete de molas.
Como a criação dos roedores, o uso dos gansos é recente, mas os resultados já agradam o agricultor.
A combinação de métodos naturais reforça a aposta de Gargan em soluções alternativas às práticas convencionais de manejo do campo.













