O El Niño muito forte previsto para 2026 e 2027 pode atingir o agronegócio mineiro de maneiras diferentes conforme a região, a cultura e o estágio das lavouras. Os principais riscos são chuvas irregulares, períodos de deficiência hídrica, temperaturas elevadas e ondas de calor. Os órgãos oficiais ainda destacam que a intensidade dos impactos dependerá da evolução do fenômeno e das condições atmosféricas ao longo da safra.
Um levantamento da Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) mostra quais cadeias podem ficar mais expostas. O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, por exemplo, concentram cerca de 3,5 milhões de toneladas de soja, ou 58% da produção estadual, e aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de milho, equivalentes a 32% do volume mineiro.
O estresse térmico e a irregularidade das chuvas podem prejudicar fases importantes das duas culturas, enquanto uma eventual redução da oferta de milho também pode afetar a alimentação de aves, suínos e bovinos.
Do café e hortaliças à pecuária
Café
- Região: Sul e Sudoeste de Minas
- Produção: cerca de 650 mil toneladas
- Participação estadual: aproximadamente 41%
- Riscos: temperaturas elevadas podem favorecer o abortamento de flores e acelerar a maturação dos frutos.
- Impacto: depende do período em que ocorrerem o calor e as variações no regime de chuvas.
Batata e hortaliças
- Sul e Sudoeste: cerca de 500 mil toneladas de batata e 1,1 milhão de toneladas de hortaliças, aproximadamente 41% da produção estadual de cada cultura.
- Cerrado: cerca de 450 mil toneladas de batata e 750 mil toneladas de hortaliças, equivalentes a 37% e 28% da produção mineira, respectivamente.
- Riscos: calor e perda rápida de umidade podem aumentar a necessidade de irrigação e elevar os custos de produção.
Feijão
- Região: Noroeste de Minas
- Produção: aproximadamente 180 mil toneladas
- Participação estadual: cerca de 28%
- Riscos: chuvas mal distribuídas podem dificultar o estabelecimento das plantas, principalmente em lavouras de sequeiro.
Frutas e mandioca
- Região: Norte de Minas
- Frutas: aproximadamente 380 mil toneladas
- Mandioca: cerca de 165 mil toneladas
- Riscos: períodos de estiagem e irregularidade das chuvas podem afetar o desenvolvimento e a produtividade das culturas.
A pecuária leiteira também pode ser afetada pelo fenômeno. O estresse térmico reduz o consumo de alimento das vacas e pode diminuir a produção de leite, enquanto a menor oferta de pastagem aumenta a necessidade de suplementação. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, são produzidas cerca de 2,33 milhões de toneladas de leite por ano, aproximadamente 25% da produção estadual.













