Flamingos cor-de-rosa estão causando prejuízos nas plantações de arroz da província de Ferrara, no nordeste da Itália, e obrigando agricultores a buscar formas de afastar as aves. A região, entre Veneza e Ravena, é uma importante área de produção do arroz usado no risoto italiano.
Os flamingos não comem o arroz. Eles usam as patas para remexer o solo dos campos alagados e capturar moluscos, algas e insetos presentes na água rasa. Nesse processo, acabam arrancando ou danificando as plantas.
O problema se agravou nos últimos anos. Em algumas áreas, agricultores relatam perdas de até 90% da produção. Para proteger as lavouras, produtores passaram a fazer rondas durante o dia e à noite, usando buzinas de caminhão, batendo em barris e acionando pequenos canhões a gás para assustar as aves.
A estratégia, porém, funciona por pouco tempo. Os flamingos levantam voo, mas podem pousar em outro campo próximo e continuar procurando alimento.
De onde vieram os flamingos
Os flamingos chegaram ao norte da Itália após uma seca no sul da Espanha que os forçou a procurar novos locais para nidificar; a espécie está na região desde 2000. Antes disso, os pássaros viviam em lagos do norte da África, partes da Espanha e na região de Camargue, na França.
Os flamingos se estabeleceram nos vales de Comácchio, uma reserva costeira próxima ao local onde o rio Pó deságua no mar Adriático.
Não há pesquisa que explique por que esses flamingos começaram a procurar alimento mais para o interior, longe de seus habitats originais. O problema atinge o pico em maio, quando os agricultores inundam os campos para germinar as sementes de arroz recém-plantadas — justamente quando os pássaros chegam dos vales vizinhos em sua migração diária.
O sofrimento dos risicultores
Alguns agricultores também modificaram a maneira de semear o arroz para reduzir os danos. Uma das alternativas é a semeadura em linhas em solo seco, técnica que permite retirar a água do campo em cerca de 24 a 48 horas e diminuir o período em que os flamingos encontram condições favoráveis para procurar alimento.
O desafio é proteger as plantações sem eliminar os flamingos, que são uma espécie protegida. Entre as alternativas discutidas estão mudanças no manejo da água dos arrozais e a criação de barreiras vegetais, como cercas vivas, para tornar os campos menos atrativos às aves.
Enquanto isso, os produtores buscam indenizações junto à Região Emilia-Romagna pelos danos provocados pela fauna protegida, na tentativa de recuperar ao menos parte das perdas.













