A transição para a primavera chega acompanhada de condições climáticas distintas nas principais regiões agrícolas do país.
Enquanto o Sul enfrenta uma forte queda nas temperaturas, com previsão de geadas, o Sudeste registra volumes de chuva que já superaram marcas históricas.
No Centro-Oeste e no Matopiba, o cenário é diferente: o calor persiste, mas as precipitações continuam irregulares.
A primavera começa oficialmente em 22 de setembro, mas a mudança de estação não deve trazer alívio imediato.
Uma sequência de massas de ar frio mantém temperaturas típicas de inverno em áreas do centro-sul, justamente durante o período em que os produtores precisam de condições mais estáveis para avançar com a semeadura da safra de verão.
No Sudeste, o excesso de chuva produz o efeito contrário. A elevada umidade mantém os solos saturados e dificulta o acesso a regiões agrícolas, além de limitar a circulação de máquinas nas propriedades.
Geada no Sul ameaça lavouras no florescimento
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê geada nesta quarta-feira (16) atingindo o sul e o centro paranaense, além das regiões serranas e centrais catarinenses, do norte gaúcho e da serra do Rio Grande do Sul. Nos pontos mais altos, os termômetros podem chegar perto de 0 grau.
A previsão coincide com a fase mais vulnerável das culturas de inverno. Quando o florescimento ou o enchimento de grãos ocorre sob frio intenso, as flores podem se tornar estéreis.
A formação dos grãos é interrompida, o que reduz a produtividade e a qualidade final da colheita. Hortaliças, mudas, fruticultura e pastagens recém-estabelecidas correm risco semelhante nesse período.
Chuvas recordes deixam o Sudeste encharcado
São Paulo registrou volumes de precipitação sem precedentes na primeira quinzena de setembro.
Iguape acumulou 331,2 milímetros, Bragança Paulista atingiu 273,8 milímetros, e Piracicaba, região agrícola crítica, totalizou 159 milímetros, todos esses números. Já ultrapassam os maiores registros históricos para o mês inteiro em períodos anteriores.
O excesso de umidade trouxe consequências imediatas aos campos: solos encharcados aumentam erosão, alagamentos, compactação e comprometem o acesso de máquinas às lavouras.
Até 21 de setembro, a previsão aponta volumes acima de 100 milímetros na Zona da Mata mineira, região serrana e norte do Rio de Janeiro.
No fim de semana, o Paraná deve ter novo reforço de chuva, com litoral, centro e oeste do Estado recebendo mais de 100 milímetros em alguns pontos.
Já em Santa Catarina, o litoral concentra os maiores volumes previstos, que podem passar de 70 milímetros.
No Rio Grande do Sul, os dias 19 e 20 devem ter chuva forte perto da Lagoa dos Patos. Em Pelotas, uma nova instabilidade deve se aproximar do oeste gaúcho em 21 de setembro, com volumes perto de 60 milímetros.
Estratégias diferenciadas por região
No Sul, os produtores devem acompanhar os avisos meteorológicos locais, avaliar a antecipação de operações programadas e seguir as recomendações de proteção para cada cultura e sistema de produção.
No Sudeste, as chuvas ajudam a recuperar a umidade do solo e podem beneficiar a brotação e a florada de café e citros, mas apenas se a precipitação for bem distribuída.
Quando há chuvas muito concentradas seguidas de seca brusca, a florada fica desuniforme, o pegamento dos frutos é prejudicado e doenças fúngicas se multiplicam.
Nos cafezais em fase de colheita, a umidade excessiva dificulta a remoção dos grãos e prolonga a secagem, aumentando o risco de deterioração.
A escolha do momento de plantar ou colher exige considerar o volume de chuva previsto e a infraestrutura de cada propriedade para drenar e lidar com o excesso de água.













