Muito antes de as arquibancadas se encherem para a Copa do Mundo, um processo silencioso já está em andamento nos campos brasileiros.
A Itograss, empresa sediada no interior paulista, fornece as variedades Tifway 419 e North Bridge, que serão usadas em estádios do torneio de 2026.
A forma como essa grama é cultivada e tratada determina, em boa parte, a exatidão dos passes e a previsibilidade da bola em campo.
Rodrigo Santos, que coordena o Centro de Gramados Esportivos da Itograss, defende que tudo no futebol de ponta tem origem na lavoura.
Formar essa cobertura verde e pronta para receber partidas oficiais pode levar de 12 a 18 meses de manejo constante.
Antes de chegar aos estádios cheios de torcida, a grama passa por um processo que envolve solo, irrigação e paciência.
Cultivo e transplante da grama Itograss nos estádios
Raízes fortes o bastante para suportar transporte e uso intenso não aparecem da noite para o dia.
Solo preparado, rega diária, adubação, podas frequentes e controle de pragas fazem parte da rotina até a grama atingir o ponto ideal de plantio.
De acordo com o coordenador da Itograss, Rodrigo Santos, a grama depende de sol, água e cuidados constantes, assim como qualquer outra lavoura.
Só depois de atingir o ponto ideal é que ela segue para transporte e transplante nos estádios.
Duas variedades para dois tipos de campo
Tifway 419 e North Bridge pertencem ao grupo das gramas Bermudas, mas têm características distintas.
A primeira se destaca pela resistência e pela facilidade de manejo, enquanto a segunda tem folhas finas e maior densidade, o que favorece campos mais rápidos e uniformes.
Cidades de clima mais frio costumam receber outra variedade, a Kentucky Bluegrass, já usada em edições anteriores da Copa do Mundo.
A escolha acompanha as condições climáticas de cada localidade.
Manutenção decide a velocidade do jogo
A genética da grama é apenas uma parte da equação que define a qualidade do campo.
Nos estádios de maior porte, times de manutenção acompanham de perto indicadores como o teor de água no solo, a compactação da grama, a firmeza do piso e a altura em que ela é cortada.
A irrigação aplicada pouco antes do jogo tem função estratégica, não apenas agronômica.
Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos da Itograss, explica que essa rega é pensada para acelerar o jogo, e não para atender apenas às necessidades da planta.
Logística e polêmica nos estádios da Copa
O gramado do MetLife veio da Carolina do Norte em uma operação logística que exigiu 27 caminhões. Metade dos estádios da Copa precisou substituir a grama sintética pela natural.
Para essa conversão, a Fifa fechou parceria com a Universidade do Tennessee.
A Fifa informou que os campos recebem irrigação seis, três e uma hora antes das partidas, além de um reforço durante a pausa para hidratação dos jogadores.
A entidade também sustenta que todos os estádios apresentam condições excelentes, respondendo a críticas de atletas sobre o estado do gramado.
Cada campo usado em uma Copa do Mundo carrega meses de trabalho agrícola que o torcedor comum nunca vê pela televisão.
Do plantio no interior de São Paulo à irrigação técnica minutos antes do apito inicial, o agro brasileiro segue moldando o cenário do futebol mundial.













