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Há 124 anos, governo trouxe uma árvore para segurar o solo; hoje ela virou uma das maiores dores de cabeça ambientais da região

Por Yasmin Henrique
16/09/2026
Trouxe árvore segurar solo hoje

Foto: evergladesnps (Domínio Público)

Em 1902, o mangue-vermelho (Rhizophora mangle) foi levado da Flórida para Molokai, no Havaí, com uma missão simples: conter a erosão e impedir que sedimentos fossem carregados pelas chuvas até os recifes. A American Sugar Company plantou as mudas em áreas de lama no sudoeste da ilha. 

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A solução acabou criando outro problema. Sem os controles naturais existentes em seu ambiente de origem, a espécie se espalhou rapidamente por áreas onde não ocorria naturalmente. Propágulos capazes de flutuar pela água levaram o mangue para novas áreas, formando colônias cada vez maiores.

De proteção contra erosão a espécie invasora

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O mangue-vermelho possui raízes aéreas que retêm sedimentos e matéria orgânica. Quando ocupa canais e áreas úmidas, pode alterar o fluxo da água, reduzir espaços abertos e modificar as condições do habitat.

Em Kailua, na ilha de Oahu, a expansão da espécie preocupa especialmente por causa da Kawainui Marsh, maior área úmida de água doce do Havaí. A vegetação invasora pode prejudicar a drenagem, alterar a circulação da água e aumentar a pressão sobre um ecossistema que também ajuda no controle de enchentes. 

A transformação das áreas abertas afeta aves aquáticas nativas que utilizam esses ambientes para alimentação e reprodução. Entre elas estão o aeʻo, o ʻalae keʻokeʻo, o ʻalae ʻula e o koloa, espécies que dependem das áreas úmidas havaianas e, em alguns casos, enfrentam risco de extinção.

Havaí tenta reverter mais de um século de expansão

Em 2026, o Department of Land and Natural Resources e a organização Hui o Koʻolaupoko iniciaram um projeto de vários anos para retirar o mangue dos cursos d’água de Kailua.

  • Área de restauração: quase 2 milhas de cursos d’água e áreas úmidas
  • Mangue adulto: cerca de 5,2 acres
  • Canais monitorados: 4,2 milhas
  • Início dos mutirões: 26 de setembro de 2026
  • Financiamento: National Fish and Wildlife Foundation e NOAA

A primeira etapa prevê a retirada manual de árvores pequenas, mudas e propágulos no Kawainui Stream, entre o Kawainui Neighborhood Park e a ponte da Hāmākua Street. Depois, áreas recuperadas receberão plantas nativas para reduzir o risco de reinvasão. 

A remoção, porém, não termina com o corte das árvores. Como novos brotos podem surgir a partir de propágulos transportados pela água, o projeto prevê monitoramento contínuo. A meta é recuperar o fluxo dos cursos d’água, ampliar novamente os habitats abertos e devolver espaço à vegetação e à fauna nativas.

Perguntas e respostas
P
Quando e de onde o mangue-vermelho foi levado para Molokai?
R
Em 1902, foi levado da Flórida para Molokai, no Havaí.
P
Qual era a missão original de plantar o mangue-vermelho em Molokai?
R
Conter a erosão e impedir que sedimentos fossem carregados pelas chuvas até os recifes.
P
Que problema o mangue-vermelho causou após ser introduzido no Havaí?
R
Sem os controles naturais de seu ambiente de origem, a espécie se espalhou rapidamente por áreas onde não ocorria naturalmente, formando colônias cada vez maiores e alterando fluxos de água e espaços abertos.
P
Que medidas o projeto iniciado em 2026 prevê para remover e prevenir a reinvasão do mangue em Kailua?
R
A primeira etapa prevê a retirada manual de árvores pequenas, mudas e propágulos no Kawainui Stream; depois, áreas recuperadas receberão plantas nativas e haverá monitoramento contínuo para evitar novos brotos.
P
Quais são algumas das espécies de aves aquáticas afetadas pela transformação das áreas abertas?
R
Entre elas estão o aeʻo, o ʻalae keʻokeʻo, o ʻalae ʻula e o koloa.
Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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