Durante décadas, mulheres que trabalhavam diariamente em propriedades rurais da Austrália não eram oficialmente reconhecidas como agricultoras.
Mesmo dedicando grande parte da vida ao cultivo da terra, à criação de animais e à administração das fazendas, muitas apareciam em documentos como “parceiras improdutivas” ou sequer eram contabilizadas nos registros oficiais.
A invisibilidade começou a ser questionada com a organização de redes de mulheres em comunidades rurais.
O movimento ganhou força nos anos 1990 e chegou a um momento decisivo em 1994, quando agricultoras australianas decidiram abandonar os rótulos tradicionais e declarar, nos registros, a profissão que de fato exerciam: agricultora.
A iniciativa representou mais do que uma mudança burocrática. Foi uma forma de reivindicar espaço, reconhecimento e participação nas decisões relacionadas ao setor agropecuário.
Reconhecimento das mulheres agricultoras australianas
Alana Johnson, uma agricultora de quinta geração do nordeste de Victoria, estava entre as pioneiras que se recusaram a continuar invisíveis.
Ao lado de Anna Lottkowitz, primeira oficial feminina de gado do departamento de agricultura de Victoria, ela ajudou a organizar o movimento.
De acordo com a fonte, o trabalho das mulheres em fazendas não foi contabilizado porque não eram consideradas agricultoras.
O reconhecimento exigiu mais que o preenchimento de formulários, e em 1994, as mulheres decidiram se nomear agricultoras, romper com a invisibilidade e afirmar que contribuíam, trabalhavam e ocupariam esse espaço.
Naquele mesmo ano, foi criada a Australian Women in Agriculture (AWiA), que se tornou o órgão máximo para agricultoras do país. Lottkowitz ajudou a organizar a primeira conferência de mulheres agricultoras em Melbourne, encontro que reuniu profissionais de todo o mundo.
Feminismo chega ao interior
Enquanto a segunda onda do feminismo se expandia nas cidades, pouco mudava nas comunidades rurais da Austrália.
As mulheres tinham dificuldade para adotar posições radicais porque o apoio às famílias rurais era sua prioridade.
Johnson, membro fundadora da AWiA e atual presidente do Victorian Women’s Trust, diz que atos feministas revolucionários demoraram a chegar ao interior.
A transformação ganhou força quando mulheres que estudavam em universidades das grandes cidades retornaram às fazendas com novas perspectivas. O movimento de mulheres rurais dos anos 1990 mudou o setor e as comunidades.
De acordo com a fonte, o movimento ajudou a formar a próxima geração de lideranças e ampliou a presença de mulheres em burocracias, o que contribuiu para deslocar algumas agendas políticas.
Segundo a Universidade Central de Queensland, mulheres agora compõem um terço da força de trabalho agrícola australiana, ainda que permaneçam sub-representadas em posições de liderança.













