Um angelim-vermelho gigante descoberto na Floresta Estadual do Paru, no norte do Pará, é a maior árvore já identificada no Brasil.
A árvore tem 88,5 metros de altura, quase 10 metros de circunferência e idade estimada em cerca de 400 anos, segundo avaliações preliminares dos pesquisadores.
A Floresta Estadual do Paru, onde se encontra a árvore, enfrenta ameaça crescente do avanço do desmatamento na região amazônica. A altura equivale a um prédio de 30 andares.
Descoberta após três anos de buscas e cinco expedições conduzidas por cientistas do Instituto Federal do Amapá.
Angelim-vermelho gigante ameaçado pelo desmatamento amazônico
A Floresta Estadual do Paru abriga muitos angelins, vários deles com mais de 70 metros de altura.
A unidade de conservação, porém, foi a terceira mais desmatada da Amazônia em novembro, conforme estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Mais de trinta Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos à unidade indicam que desmatadores estão pressionando pela posse de lotes.
Segundo alerta de pesquisadora do Imazon, o governo paraense precisa urgentemente cancelar esses registros e retirar invasores da unidade de conservação.
Também figuram entre as primeiras posições no ranking de áreas protegidas mais desmatadas da Amazônia em novembro a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (PA) e a Resex Chico Mendes (AC).
Amazônia registra pior resultado em 15 anos
Em novembro, o desmatamento na Amazônia aumentou 23%, atingindo 590 km², área equivalente à extensão da cidade de São Luís, capital do Maranhão.
Esse foi o pior resultado para o mês desde 2008, quando o Sistema de Alerta de Desmatamento começou a monitorar a região.
Quase metade da derrubada ocorreu apenas no Pará, que perdeu 276 km² de Floresta (47% do total).
Com 82 km² (14%), o Mato Grosso ficou em segundo lugar, enquanto o Amazonas ocupou a terceira posição com 66 km² (11%). Juntos, esses três estados somaram 72% de toda a devastação na Amazônia Legal.
De janeiro a novembro, o desmatamento acumulado foi de 10.286 km², equivalente à perda de 3 mil campos de futebol por dia, a pior marca para esse período em 15 anos.
Descobertas recentes ampliam compreensão sobre florestas gigantes
Pesquisas recentes revelam que o angelim-vermelho localizado no Paru integra um vale inteiro de árvores gigantes, todas com mais de 80 metros de altura. O vale foi identificado durante o mapeamento realizado além da árvore principal.
Essa descoberta amplia a compreensão sobre a distribuição e a resistência das espécies de maior porte na Amazônia.
O Ministério Público do Amapá anunciou articulação com o governo estadual para um decreto específico de proteção dessas árvores gigantes.
As iniciativas surgem diante da degradação florestal acelerada: em 2024, a degradação na Amazônia atingiu o maior nível dos últimos 15 anos.
Esse cenário evidencia a intensificação da pressão sobre as florestas amazônicas e suas espécies únicas.













