Um Angelim vermelho de 88,5 metros de altura tornou-se a maior árvore já registrada na Amazônia após quatro anos de buscas conduzidas pelo Instituto Federal do Amapá (Ifap). A descoberta ocorreu durante a quinta expedição do Projeto Árvores Gigantes, que contou também com pesquisadores da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
A expedição teve cofinanciamento da Universidade de Swansea, Fundação Jari, Norte Solar e Imazon. Localizada na Floresta Estadual do Amapá, na região do Vale do Jari, entre os estados do Amapá e do Pará, a árvore possui 9,9 metros de circunferência e pode ter até 600 anos.
Sua altura corresponde a aproximadamente duas estátuas do Cristo Redentor empilhadas e seria suficiente para superar com folga um edifício de 25 andares. O registro também mostra o quanto ainda pode existir de desconhecido em áreas pouco exploradas da maior floresta tropical do planeta.
Tecnologia Lidar detecta árvore com 88,5 metros na Amazônia
- Lidar: sistema de sensoriamento remoto que utiliza pulsos de laser para medir distâncias e analisar a vegetação.
- Identificação: dados processados pelo professor Eric Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, apontaram alturas atípicas no sul do Amapá, especialmente no Vale do Jari.
- Confirmação: a equipe foi a campo para verificar as medidas. O Lidar determinou a altura, enquanto a circunferência foi medida com fita métrica.
- Outras gigantes: o levantamento identificou cinco árvores com mais de 80 metros no Amapá.
Expedição pela floresta:
- Percurso: a equipe partiu de Laranjal do Jari em 11 de setembro e passou 11 dias em deslocamento pela floresta.
- Obstáculos: condições climáticas, rios e mudanças de rota dificultaram o acesso e podiam acrescentar 10 a 12 horas à viagem.
- Buscas anteriores: as expedições anteriores não haviam conseguido chegar à árvore indicada pelo sensoriamento remoto.
O significado das Árvores Gigantes
Além do tamanho impressionante, árvores centenárias como o Angelim vermelho funcionam como registros naturais da história da floresta. Seus anéis de crescimento guardam informações sobre as condições ambientais de décadas e séculos, ajudando os pesquisadores a estudar mudanças no clima e na dinâmica da vegetação.
A descoberta também ampliou a discussão sobre a proteção desses exemplares. O Ministério Público do Amapá articula com o governo estadual a criação de um decreto específico para proteger as árvores gigantes. Segundo o promotor Marcelo Moreira, a medida funcionaria de forma semelhante a um tombamento histórico.
Ainda há muito a descobrir. Segundo o professor Eric Gorgens, o monitoramento alcança apenas 0,16% da Floresta Amazônica no Brasil. Considerando uma área de cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados, a parcela estudada é mínima e indica que outras árvores gigantes podem estar escondidas em regiões pouco exploradas.













