Uma fazenda em Araçoiaba da Serra, no interior paulista, produz forragem em grande escala para o Zoo São Paulo, o maior zoológico da América Latina.
A produção abastece principalmente a alimentação das espécies herbívoras entre os cerca de 2,5 mil animais da instituição.
O zoológico prepara cerca de 900 refeições por dia, ou 27 mil por mês. O cardápio é elaborado de acordo com as necessidades de aproximadamente 300 espécies, que incluem herbívoros, carnívoros, onívoros e insetívoros.
Cada grupo exige uma combinação diferente de alimentos, nutrientes e formas de preparo.
O que a fazenda produz para o zoológico
A fazenda cultiva capim-elefante-verde, capim-roxo, feijão-guandu e malvavisco para alimentar os animais do zoológico. Por mês, a colheita chega a 20 toneladas, enviadas em três remessas semanais.
Cultivar o próprio alimento reduz o risco de contaminação e dá à instituição controle direto sobre a qualidade do que chega aos cochos.
Galhos, bambu, cana-de-açúcar e folhas de goiabeira também compõem o material que estimula o comportamento natural das espécies e itens da dieta ficam escondidos entre as folhagens para incentivar a busca ativa por comida.
Compra externa segue critérios rígidos
Nem tudo vem da fazenda: carnes, frutas, legumes e vegetais adquiridos fora passam por inspeção sanitária semelhante à exigida para alimentos de consumo humano.
Lucas Carneiro, zootecnista responsável pelo setor de nutrição do zoológico, disse ao Canal Rural que a rotina profissional exige domínio de toda a cadeia produtiva.
Ele disse que cuidar de animais que vão do sapo ao elefante exige conhecimento específico, porque cada espécie reage de forma diferente a suplementos, probióticos e combinações nutricionais.
Insetos e minhocas completam o cardápio
Um biotério cria baratas, grilos e moscas destinadas principalmente a alimentar sapos, rãs e axolotes. Minhocas produzidas no mesmo espaço servem para atividades de enriquecimento ambiental.
Antes de serem enviados aos setores de nutrição, os insetos passam por etapas de alimentação, hidratação, reprodução e higienização dos recipientes.
Nutrição é parte dos programas de conservação
Toda essa estrutura ganha importância ainda maior porque o zoológico mantém espécies ameaçadas de extinção e participa de programas de conservação.
Nesses casos, oferecer uma dieta adequada não significa apenas manter os animais alimentados. A nutrição pode contribuir para a manutenção da saúde, reprodução e qualidade de vida dos indivíduos.
A combinação entre produção própria, aquisição controlada de alimentos e criação de insetos permite que a instituição monte dietas específicas para cada espécie.
Por trás das aproximadamente 900 refeições preparadas diariamente existe, portanto, uma operação que envolve agricultura, zootecnia, controle sanitário e manejo animal.













