A cerca de 5 a 10 metros de profundidade, na Baía de Noli, na Riviera Italiana, nove biosferas transparentes abrigam uma pequena fazenda submersa. Dentro das estruturas, manjericão, tomate e outras plantas crescem em um ambiente isolado da água do mar, mas que aproveita as condições naturais do oceano.
O projeto, chamado Nemo’s Garden, começou em 2012, quando Sergio Gamberini, fundador de uma empresa de equipamentos de mergulho, imaginou se seria possível criar as condições ideais para cultivar manjericão debaixo d’água. A ideia uniu duas de suas paixões: mergulho e jardinagem.
As biosferas são domos transparentes preenchidos com ar e ancorados no leito marinho, onde a água ao redor ajuda a manter a temperatura estável. A água salgada evapora, condensa nas paredes mais frias e se transforma em água doce para irrigar as plantas. O cultivo utiliza hidroponia, dispensando solo e otimizando o espaço.
Cultivo de manjericão e tomate em biosferas submarinas
O manjericão se tornou uma das principais culturas por sua importância na culinária da Ligúria, região conhecida pelo pesto. Estudos compararam plantas cultivadas nas biosferas com exemplares produzidos em estufas terrestres.
Os resultados indicaram que o manjericão submerso apresentou maiores concentrações de clorofila, carotenoides e polifenóis, além de atividade antioxidante 31,52% superior. A composição dos óleos essenciais também foi diferente, indicando que o ambiente submarino influencia o metabolismo da planta.
Além do manjericão e do tomate, o projeto já testou saladas, ervas, flores e outras hortaliças, avaliando quais espécies apresentam melhor adaptação às condições das biosferas.
Um fotógrafo visitou o local para documentar as estruturas e provou pesto feito com o manjericão do fundo do mar. Ele descreveu como genuína a paixão de quem investiu em uma ideia não convencional, em vez de se dedicar apenas a invenções convencionais.
Uma solução para regiões áridas
A proposta busca investigar uma alternativa para regiões costeiras onde água doce e terras agrícolas são escassas. Em vez de depender exclusivamente de sistemas convencionais de dessalinização, as biosferas aproveitam a própria água do mar e a transformam em água doce por meio da condensação.
O sistema ainda exige nutrientes e outros recursos para o cultivo, mas permite explorar áreas que normalmente não seriam utilizadas para agricultura.
O projeto também enfrentou condições adversas. Em 2018, uma forte tempestade danificou parte das estruturas, levando a melhorias no sistema de ancoragem e na resistência das biosferas.













