Pesquisadores de uma estação experimental em Queensland, na Austrália, criaram duas variedades inéditas de morango. Ambas lembram piña colada tanto no aroma quanto no gosto.
O desenvolvimento das frutas levou oito anos, e agora elas estão prontas para chegar às gôndolas de supermercado. A novidade reúne dois tipos diferentes: um morango branco por dentro, com casca rosa-clara pontilhada de sementes vermelhas, e outro de casca rosa-pêssego com polpa branca.
Ambos têm aroma mais marcante que o das variedades vermelhas tradicionais.

O morango “branco”
Por dentro, essa variedade é branca intensa, com a casca em tom rosa claro salpicada de sementes vermelhas. A combinação de cores é um dos motivos que chamam atenção logo na primeira olhada na fruta.
Jodi Neal, responsável pelo programa de melhoramento genético do Department of Agriculture and Fisheries, descreveu as duas frutas como diferentes tanto no sabor quanto no cheiro. Em entrevista à ABC, ela afirmou que o resultado é bonito e surpreendente ao paladar.
O Morango “rosa”
A segunda variedade tem o exterior em tom de rosa-pêssego, enquanto a polpa permanece branca. Assim como a primeira, carrega um perfume forte, quase floral, diferente do morango comum.
As duas frutas nasceram do cruzamento com uma espécie branca que cresce de forma selvagem no Chile. Neal disse que essa origem chilena explica boa parte das notas tropicais sentidas no paladar.
O sabor de piña colada
Segundo Neal, as frutas têm doçura elevada e acidez baixíssima, o que lembra a bebida piña colada. Ela descreveu a experiência como algo próximo de comer abacaxi fresco, por causa dos aromas herdados da linhagem chilena.
Essa característica diferencia bastante as novas variedades dos morangos vermelhos tradicionais, que costumam ter sabor mais ácido. A proposta é oferecer uma opção com perfil de sabor totalmente distinto do que já existe nas prateleiras.
Um jeito de diferenciar morangos no mercado
Hoje, ao contrário de maçãs e bananas, os morangos não trazem o nome da variedade na embalagem. Isso dificulta que o consumidor saiba exatamente qual tipo está levando para casa.
Neal disse que a equipe já desenvolveu 16 variedades de morango vermelho nos últimos 10 anos, mas que o público segue sem conhecer as diferenças entre elas. A ideia por trás dos morangos rosa e branco é criar frutas visualmente reconhecíveis, que o consumidor associe a um sabor específico na hora de escolher.
Oito anos de pesquisa até a comercialização
O processo de seleção e aperfeiçoamento das duas variedades consumiu oito anos de trabalho na estação de pesquisa da Sunshine Coast. Agora, a fase seguinte é encontrar parceiros comerciais capazes de multiplicar as mudas em escala.
A Hort Innovation e o Department of Agriculture and Fisheries anunciaram a busca por um parceiro de negócios para lançar as novas frutas durante o BerryQuest International 2022, realizado na Gold Coast, diante de representantes do setor de vários países.
Participação no mercado nacional de morangos
As variedades desenvolvidas pela equipe de Neal já têm peso considerável no campo australiano. O programa de melhoramento genético conta com a parceria da Hort Innovation. Corporação de pesquisa e desenvolvimento mantida pelos próprios produtores, com apoio de taxas pagas pelo setor e de recursos dos governos federal e de Queensland.
Reação da indústria
O executivo-chefe da Hort Innovation, Brett Fifield, afirmou que os morangos rosa e branco não têm equivalente nas prateleiras australianas atuais. Segundo ele, as frutas são resultado de anos de pesquisa, testes de campo, avaliação de preferência do consumidor e diálogo constante com o setor produtivo.
Já a diretora executiva da Berries Australia, Rachel Mackenzie, descreveu o programa de melhoramento genético como uma história de sucesso e um caminho para ampliar tanto o consumo interno quanto a exportação de morangos australianos.
O Morango no mercado de frutas australiano
O Morango é a terceira fruta mais popular da Austrália, com uma safra avaliada em 417,2 milhões de dólares australianos em 2021. Do total de 77.751 toneladas produzidas, a maior parte foi vendida fresca, uma fatia menor virou conserva e outra parcela foi destinada à exportação.
Queensland concentra a maior produção do país, seguida por Victoria, Western Australia, South Australia e New South Wales, que juntos sustentam a cadeia produtiva nacional da fruta.
Com a fase de comercialização em curso, o próximo passo depende de uma empresa parceira assumir a multiplicação das mudas em escala comercial. Por enquanto, as duas novidades seguem restritas aos testes conduzidos na estação de pesquisa da Sunshine Coast.













