Depois de priorizar os leilões de rodovias, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes voltaram a focar na expansão ferroviária. Dois projetos, porém, acumulam adiamentos: a EF-118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste, e o Corredor Minas-Rio.
Segundo o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, durante o 8º Brasília Summit, os processos devem avançar até o fim de 2026. A EF-118, inicialmente prevista para ser leiloada em junho, e o Corredor Minas-Rio, esperado para o primeiro semestre, tiveram o cronograma alterado após novas análises e ajustes na estruturação.
Dois projetos prioritários de ferrovias
EF-118
- Trajeto: Santa Leopoldina (ES) a Nova Iguaçu (RJ), passando pelo eixo do Porto do Açu.
- Extensão: cerca de 575 km no projeto completo.
- 1ª fase: São João da Barra (RJ) a Santa Leopoldina (ES), com 245,95 km.
- Investimento: cerca de R$ 6,6 bilhões na primeira etapa.
- Objetivo: ampliar o transporte de produtos agrícolas, minérios e granéis, além do acesso ferroviário aos portos do Sudeste.
- Impacto esperado: aumentar a capacidade de escoamento e reduzir gargalos logísticos.
Corredor Minas-Rio
- Abrangência: trechos da antiga Ferrovia Centro-Atlântica entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.
- Objetivo: recuperar e colocar em operação segmentos atualmente sem circulação.
- Modelo: primeiro chamamento público para exploração da infraestrutura, dividido em dois lotes.
- Lote 1: Iguatama–Barra Mansa e Varginha–Lavras.
- Lote 2: Barra Mansa–Angra dos Reis.
Segundo Sampaio, a EF-118 atrai principalmente construtoras, enquanto o Corredor Minas-Rio deve interessar a empresas ferroviárias, mineradoras e companhias do agronegócio. Grupos chineses e mexicanos também podem participar em consórcios com empresas brasileiras.
Atrasos e desafios
Os dois projetos tiveram o cronograma revisado pelo governo. A EF-118, que previa edital em março e leilão em junho, foi adiada, entre outros fatores, por exigências relacionadas a pesquisas arqueológicas. Já o Corredor Minas-Rio, inicialmente previsto para o primeiro semestre, permaneceu em análise e teve avanço projetado para o segundo semestre.
Com os ajustes, a expectativa é que os processos avancem entre setembro e dezembro de 2026, conforme o estágio de cada empreendimento. A estruturação envolve desafios técnicos e financeiros, como investimentos elevados, estudos de demanda, licenciamento e questões ambientais e arqueológicas. Caso não sejam concluídos neste ano, os projetos deverão chegar a 2027 em estágio mais avançado.













