As chuvas acima do normal no Rio Grande do Sul, combinadas ao calor fora de época provocado pelo El Niño, estão prejudicando a quantidade e o valor nutritivo do pasto natural, situação que pode fazer os bovinos perderem até 0,5 quilo de peso por dia.
Segundo a pesquisadora Soraya Tanure, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as variações repentinas de temperatura somadas ao solo alagado fazem os animais estagnarem o ganho de peso, além de comprometer tanto a condição corporal quanto o volume de leite produzido.
Esse cenário climático modifica os hábitos do rebanho e acaba refletindo no rendimento produtivo dos animais.
Entre os efeitos desse quadro estão o maior risco de doenças, a dificuldade de locomoção do gado em áreas alagadas e a queda na quantidade de alimento ingerido pelos animais.
Esses fatores, combinados, levam à perda de massa corporal.
Impactos do El Niño na produção pecuária gaúcha
Considerando o valor de R$ 12 por quilo vivo do animal, uma perda diária de 500 gramas representa R$ 6 de prejuízo por dia ao pecuarista.
Essa quantia se acumula rapidamente ao longo de semanas de clima desfavorável. Na pecuária leiteira, o efeito é ainda mais severo.
Vacas entre 50 e 70 dias após o parto estão no auge da produção e mostram maior sensibilidade às variações térmicas, o que pode comprometer a produção durante esse período crítico.
Suplementação como escudo contra perdas
Para evitar prejuízos maiores, pecuaristas podem recorrer à suplementação alimentar.
Uma das opções é recorrer à silagem de milho durante aproximadamente dois meses, intervalo em que os pastos costumam oferecer menos nutrientes e comprometer o desempenho animal.
O investimento em suplementação fica próximo ao custo da perda de peso. Para um animal de 400 quilos que recebe suplemento equivalente a 1% do peso vivo, o custo se aproxima de R$ 6 por dia, praticamente o mesmo que seria perdido pela queda de massa corporal.
Em áreas com capacidade de suportar pisoteio, o sal proteinado na proporção de 1 grama por quilo de peso vivo oferece custo estimado entre R$ 3 e R$ 5 diários, dependendo da formulação.
Recuperação futura depende de ação agora
Manter o peso dos animais durante o inverno permite que o rebanho se recupere rapidamente na primavera, quando as pastagens voltam a crescer e a necessidade de suplementação diminui.
Quando o produtor não adota ações preventivas, tende a gastar mais depois para recuperar o rebanho.
Animais que perdem condição corporal ou têm a produção de leite afetada exigem investimento adicional em alimentação, sanidade e manejo para retomar os índices produtivos anteriores.
O planejamento alimentar reforçado durante o inverno permite que o rebanho se recupere rapidamente na primavera, quando as pastagens retomam o crescimento.













