Resíduos que poderiam terminar no lixo ou causar impactos ambientais ganharam uma nova função dentro da cadeia produtiva da JBS.
Por meio da Biopower, divisão de Novos Negócios da companhia, óleo de cozinha usado e subprodutos gerados no abate de animais são transformados em biodiesel, combustível renovável utilizado em substituição parcial ao diesel fóssil.
A empresa mantém três unidades industriais dedicadas à produção do biocombustível, localizadas em Lins (SP), Campo Verde (MT) e Mafra (SC). Juntas, as fábricas têm capacidade para produzir cerca de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano.
De olho na expansão do mercado de biocombustíveis, a JBS destinou R$ 140 milhões à modernização das três unidades.
O investimento amplia a capacidade de processamento de diferentes matérias-primas e reforça a estratégia de aproveitamento de resíduos dentro da própria cadeia produtiva.
Transformação de resíduos de cozinha em biodiesel renovável
A produção começou em Lins, quando a empresa passou a aproveitar o sebo bovino gerado pelo abate de gado. Com o tempo, a empresa ampliou a variedade de matérias-primas.
Hoje, mais de 12 tipos alimentam os tanques de produção, incluindo óleo de fritura recuperado, gorduras de aves e suínos da Seara e óleos de soja, algodão e palma.
Essa variedade permite aproveitar diferentes fluxos de resíduos e subprodutos, transformar o que seria descartado em energia renovável e ampliar a economia circular.
O óleo de cozinha pode causar contaminação ambiental: 1 litro descartado incorretamente pode contaminar até 25 mil litros de água.
Desde 2016, a companhia mantém o programa Óleo Amigo, que coleta o resíduo em residências, comércios e escolas por meio de caminhões, combinando coleta com ações de educação ambiental e conscientização sobre o descarte correto.
O programa já recolheu mais de 50 milhões de litros, volume que representa a preservação de mais de 1 trilhão de litros de água considerando esse poder de contaminação.
Como funciona a coleta e o impacto educativo
A iniciativa alcança atualmente mais de 115 municípios por meio de caminhões que fazem coletas regularmente.
As ações de educação ambiental ligadas ao projeto já atingiram mais de 65 mil pessoas, com foco especial em instituições escolares.
Nas escolas, pontos de coleta são instalados e o material recolhido é convertido em livros, brinquedos e materiais didáticos para os alunos.
Asilos, organizações não governamentais, empresas e restaurantes também participam da rede. Alguns estabelecimentos recebem compensação financeira pelo óleo entregue, enquanto outros utilizam o programa como parte de suas estratégias de logística reversa.
O óleo coletado nesses estabelecimentos é transportado pela frota do programa até as fábricas da Biopower para processamento.
Do processamento ao combustível final
Quando o óleo chega às unidades industriais, passa por análises de qualidade que verificam a umidade, a presença de impurezas e outras características que afetam a produção.
No caso do óleo de cozinha, peneirar o material antes de armazená-lo em garrafas PET reduz os resíduos sólidos e facilita o processamento.
Depois da aprovação pelo laboratório, o material é descarregado nos tanques. Ali, cada tipo de matéria-prima passa por um sistema de neutralização que prepara o material para as etapas seguintes.
A transformação ocorre por meio de uma reação química conhecida como transesterificação. Nela, o glicerol se separa da molécula presente nos óleos e nas gorduras. A reação usa um álcool, como metanol ou etanol, e produz o biodiesel.
Ao fim do processo, obtém-se o B100, versão pura do biodiesel vendida sobretudo a grandes distribuidoras.
São elas que, em suas bases, adicionam o produto ao diesel comum antes de enviá-lo a postos, fazendas e demais consumidores.
Resíduo percorre um novo ciclo
O modelo adotado pela Biopower conecta diferentes etapas da cadeia produtiva.
O sebo e outras gorduras gerados na produção de alimentos podem retornar ao ciclo como matéria-prima energética, enquanto o óleo utilizado em cozinhas deixa de ser apenas um resíduo e passa a integrar a fabricação de um combustível renovável.
O resultado é uma cadeia que começa na geração de resíduos, passa pela coleta, pelo processamento industrial e termina no abastecimento de veículos e máquinas.
Caminhões, tratores e outros equipamentos podem utilizar o combustível produzido a partir desses materiais, criando um ciclo em que parte do que sobra da produção e do consumo de alimentos volta ao sistema na forma de energia.













