Na Ilha de Canguru, na Austrália, um criador se dedica a preservar raças raríssimas de animais de fazenda que desapareceram de quase todo o mundo.
Will Marshall administra, em Stokes Bay, uma propriedade especializada na criação de animais em extinção. É uma das poucas do tipo na Austrália e abriga ovelhas de quatro chifres, porcos Baudin, aves e gado que raramente são vistos em público em outros locais.
As ovelhas africanas de quatro chifres estão entre as raças raras criadas por Marshall. Seus chifres podem crescer em direções diferentes e, mesmo quando são quebrados ou arrancados, podem voltar a crescer, de maneira semelhante às unhas. Essa característica incomum torna os animais um dos destaques da propriedade.
Muitos dos animais criados por Marshall não estão registrados em outras propriedades nem em exposições públicas no mundo. Sua coleção inclui raças raras de aves, desde galinhas até patos, gansos e perus, além de gado de corte, ovelhas, porcos e cabras de linhagens antigas.
Por que conservar raças antigas de fazenda
A erosão genética entre animais de criação continua, e desde o século passado, desapareceram cerca de 2 mil raças de animais de fazenda. Estimativas apontam a perda de duas ou três raças por semana ou por mês, ritmo que Marshall considera insustentável.
A diversidade genética oferece resiliência biológica que pode ser decisiva diante de mudanças climáticas ou de mercado. Diferentes raças foram selecionadas ao longo de séculos para viver em ambientes específicos. Algumas se adaptaram a zonas áridas de calor extremo; outras, a regiões montanhosas de frio intenso. Essa variedade genética acumulada não pode ser recuperada depois de perdida.

O desafio de criar em populações pequenas
A criação a partir de populações reduzidas apresenta riscos particulares. Quando um rebanho tem apenas quatro ou cinco fêmeas reprodutoras, a perda de um ou dois animais afeta gravemente o programa de reprodução. Já em um rebanho de 200 ovelhas, perdas pontuais não comprometem a viabilidade geral.
Marshall obteve alguns dos porcos Baudin de Canguru diretamente do Parque Nacional Flinders Chase, na ponta ocidental da ilha, após salvar animais antes que incêndios florestais eliminassem a raça naquele local. Seu objetivo é aumentar os números para distribuir matrizes entre outros criadores, reduzindo o risco de extinção total e perpetuando as linhagens.
Raças raras com benefício além da conservação
A preservação de animais antigos também traz aplicações práticas para a saúde humana. O leite de raças antigas contém a proteína A2 com mais frequência do que o leite das raças leiteiras mais comuns atualmente. Esse é um exemplo de como a diversidade genética em fazendas pode abrir caminho para descobertas que beneficiem as pessoas.
Marshall continua ampliando o trabalho de conservação para preservar a diversidade genética de raças que moldaram a história da agricultura.
Como a diversidade genética oferece adaptação a mudanças
Cada raça de animal de fazenda foi desenvolvida ao longo de séculos para viver em um ambiente específico. Uma ovelha criada em zonas áridas de calor extremo desenvolveu características genéticas diferentes das de uma ovelha criada em montanhas de frio intenso. Quando uma dessas raças desaparece, essa diversidade genética se perde e não pode ser recuperada.
Essa diversidade funciona como um seguro biológico, e se o clima mudar ou o mercado exigir animais com outras características, raças antigas podem oferecer naturalmente a adaptação necessária. Com apenas algumas raças comuns, fica impossível fazer essa mudança com rapidez.
Se uma raça desapareceu, não é possível recriá-la depois?
Não, e quando uma raça de animal de fazenda se extingue, a variedade genética específica que aquela raça desenvolveu ao longo de séculos é perdida para sempre. Você pode tentar criar um animal parecido a partir de outras raças, mas não recupera as características genéticas exatas que desapareceram.
Por isso o risco é irreversível — uma vez perdida, a diversidade genética não volta.













