A Hungria, tradicional exportadora de milho, deverá precisar importar o grão em 2026, em uma mudança provocada por uma combinação de seca prolongada, ondas de calor e redução da produtividade agrícola. O país está entre as áreas mais atingidas pelo déficit hídrico que vem castigando a Europa Central.
O problema ultrapassa as fronteiras húngaras. Romênia e Hungria, dois importantes produtores de milho da União Europeia, enfrentam perdas expressivas justamente em uma região que durante anos abasteceu outros mercados europeus.
A Comissão Europeia estima que a União Europeia colherá 50,1 milhões de toneladas de milho em 2026, volume cerca de 20% inferior à média dos três anos anteriores e o menor resultado em quase duas décadas.
A seca crônica transforma a paisagem agrícola
- Nordeste da Hungria: campos enfrentam forte ressecamento após anos de redução das chuvas
- Estiagem: períodos secos, antes ocasionais, tornaram-se recorrentes e elevaram o risco do cultivo de milho
- Adaptação: agricultores têm substituído o milho por outras culturas ou investido em irrigação
- Romênia: exportações de milho caíram para cerca de 2,2 milhões de toneladas
- Hungria: tradicional exportadora, deverá importar milho em 2026
- UE: importações podem crescer 8% a 9% em 2026 e 2027 se a seca persistir
Impacto do clima:
- Regiões afetadas: Hungria, oeste da Romênia, sul da Alemanha, norte e centro da Itália, Áustria, República Tcheca e Eslováquia
- Efeitos: calor e déficit hídrico reduzem fertilidade, biomassa e enchimento dos grãos, além de acelerar a senescência
- Milho: está entre as culturas mais prejudicadas, com possibilidade de perda total em algumas áreas
- Produtividade: projeções para as culturas de verão da UE chegaram a até 14% abaixo da média histórica
- Umidade do solo: níveis muito baixos agravaram a seca na Hungria
Área cultivada e irrigação:
- Área de milho: vem diminuindo diante do aumento do risco climático
- Produtores: parte migra para culturas mais adaptadas às condições secas
- Irrigação: alternativa adotada por alguns agricultores, mas limitada pela própria escassez de água
- Recursos hídricos: restrições e menor disponibilidade de água ampliam o estresse das lavouras na Europa Central
Adaptação e riscos futuros
O problema climático não se resume a um único verão ruim. Na última década, as temperaturas máximas de junho e julho ficaram, em média, 3,1°C acima da referência de 1961 a 1990 na Hungria e cerca de 3°C na Romênia.
Ao mesmo tempo, a umidade do solo permanece desfavorável, enquanto a seca que atingiu grandes áreas da Europa desde a primavera se agravou durante julho e agosto. As consequências podem alterar o mapa agrícola europeu.
O Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC) projetou as culturas de verão da União Europeia com produtividade até 14% abaixo da média dos últimos cinco anos. Produtores podem recorrer à irrigação ou substituir o milho por culturas mais adaptadas à seca, mas ambas as alternativas enfrentam limitações.













