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Para combater o aquecimento global, campo terá de investir bilhões: veja de onde pode vir o dinheiro

Por Leticia Florenco
20/09/2026
Combater aquecimento global campo terá

Foto: geralt/Pixabay

Limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,5 °C até 2035 exigirá investimentos de aproximadamente US$ 8 trilhões por ano em todo o mundo. 

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O montante deverá financiar medidas como uma agricultura de menor emissão, recuperação de áreas florestais e expansão de fontes de energia limpa.

A estimativa foi apresentada por especialistas do Grupo Independente de Alto Nível em Financiamento Climático, ligado à London School of Economics, e divulgada durante a COP realizada em 2024, no Azerbaijão.

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O desafio financeiro envolve tanto a redução das emissões de gases de efeito estufa quanto a adaptação das atividades econômicas às mudanças climáticas. 

No Brasil, uma parcela importante desse esforço está concentrada no uso da terra e no setor agropecuário.

O custo global da transição climática

Países emergentes e em desenvolvimento precisarão de aproximadamente US$ 3,5 trilhões por ano até 2035 para fazer a transição para uma economia de baixo carbono. 

A questão de fundo é que as nações ricas se industrializaram primeiro e construíram sua riqueza com combustíveis poluentes, como carvão e petróleo.

Por isso, carregam a responsabilidade histórica de financiar essa mudança nos países mais pobres.

Após a COP 2024, as nações desenvolvidas se comprometeram a direcionar no mínimo US$ 300 bilhões para países em desenvolvimento até 2035. 

Um valor negociado após a oferta anterior de US$ 250 bilhões ser rejeitada. O objetivo é que, no mesmo prazo, esse volume chegue a US$ 1,3 trilhão, com contribuições de todas as nações.

Mas há um obstáculo: especialistas ressaltam que a maior parte desse dinheiro chegará na forma de empréstimo, não de doação. 

A luta central agora é garantir que os juros sejam menores que os praticados no mercado comum.

Como o Brasil financia a sustentabilidade no campo

Enquanto as negociações globais prosseguem, o Brasil concentra a maior parcela das ações climáticas ligadas ao uso da terra, como agropecuária sustentável e preservação florestal. 

Dados da ONG Climate Policy Initiative mostram que o crédito rural é o principal instrumento e responde por 58% de todo o financiamento climático para o uso da terra.

Produtores acessam empréstimos bancários para investir em técnicas mais sustentáveis, como plantio direto, integração de lavoura-pecuária-floresta e agroecologia. 

Mas fazer esse crédito chegar a pequenos produtores e comunidades tradicionais permanece como um dos maiores obstáculos. 

Os bancos, em geral, priorizam grandes projetos porque o custo operacional de verificar empréstimos menores não compensa.

Além disso, muitos pequenos produtores não sabem o que é crédito rural e não têm conta bancária ou documentos básicos, como RG ou CPF.

Em Ilhéus, na Bahia, indígenas Tupinambá usaram esse apoio para entrar no Pronaf Floresta, linha que financia o cultivo de cacau ao mesmo tempo em que apoia a recomposição da Mata Atlântica. 

O projeto oferece orientação sobre o uso consciente do dinheiro, e 98% dos participantes estão em dia com os empréstimos.

Dados da Climate Policy Initiative mostram que a filantropia representa apenas cerca de 0,06% das fontes de financiamento climático em agropecuária e florestas. 

Especialistas ressaltam que o crédito rural tem limites quando se fala em inclusão e justiça socioambiental, sendo importante que povos tradicionais.

Segundo especialistas, pequenos produtores também precisam de mais acesso a doações e incentivos públicos e privados que não exigem devolução do dinheiro.

O papel emergente dos fundos climáticos internacionais

Uma estratégia que ganha força é o financiamento por renda fixa, modelo exemplificado pelo Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil. 

Esse instrumento funcionará com base em pagamentos por resultados e recompensará países que mantiverem o desmatamento abaixo de limites pré-definidos.

O modelo busca usar investimento de renda fixa para gerar recursos destinados à conservação de florestas tropicais, atraindo investidores interessados em retorno financeiro aliado a impacto ambiental.

Fundos brasileiros têm perfis diferentes

O Fundo Amazônia, criado em 2008, oferecia investimentos não reembolsáveis para conservação da Amazônia e projetos com povos tradicionais. 

Após ser pausado em 2019, o fundo foi retomado em 2023, o que contribuiu para a queda do desmatamento no bioma.

O Fundo Clima, criado em 2009, concentra recursos em empréstimos administrados pelo BNDES: 57% vão para a indústria, 38% para a infraestrutura, 4% para o comércio e apenas 1% para a agropecuária. Desse último grupo, 98% financiam empresas de grande e médio porte.

Os recursos não reembolsáveis representam menos de 1% do total, cerca de R$ 4,5 milhões geridos pelo Ministério do Meio Ambiente. Os R$ 24 bilhões restantes funcionam como empréstimos convencionais. 

Dinheiro precisa vir acompanhado de conhecimento

O desafio do financiamento climático não está apenas em ampliar o volume de recursos disponíveis. 

Também envolve criar mecanismos capazes de fazer o dinheiro chegar aos produtores e comunidades que enfrentam maiores dificuldades de acesso.

Em muitas situações, o capital não é suficiente para transformar uma propriedade. O produtor precisa saber quais técnicas adotar, como implementá-las e de que maneira acompanhar os resultados.

Por isso, transferência de tecnologia, assistência técnica, capacitação e acompanhamento são considerados componentes importantes dos programas de financiamento climático.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenco

Leticia Florenco

Olá, me chamo Letícia Florenço. Sou filha da Terra da Luz, meu amado Ceará. Estudo Jornalismo e, atualmente, estou no último semestre, 8º.

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