Uma alga vermelha tradicionalmente consumida na culinária havaiana começa a ganhar outra função: alimentar o gado para reduzir a emissão de metano.
A limu kohu, conhecida por fazer parte de pratos como poke bowls, está sendo transformada em suplemento para bovinos em uma tentativa de diminuir o impacto ambiental da pecuária.
A tecnologia é desenvolvida pela Symbrosia, empresa sediada em Kona, no Havaí. O produto, chamado Seagraze, utiliza a alga na alimentação dos animais e foi testado durante seis meses com bovinos da Parker Ranch.
Segundo os resultados apresentados pela empresa, os animais que receberam o suplemento registraram redução média de 77% nas emissões de metano.
Um mercado em expansão impulsionado pelo clima
O potencial da alga para reduzir gases de efeito estufa atraiu investidores públicos e privados de todo o mundo.
O Banco Mundial projeta que a indústria de cultivo de algas marinhas poderá valer quase US$ 12 bilhões até 2030, alimentada por suas várias aplicações práticas e propriedades de mitigação das mudanças climáticas.
O governo federal americano também financiou a expansão das operações. Symbrosia recebeu mais de US$ 2,2 milhões em subvenções federais neste ano, incluindo uma bolsa de desenvolvimento de mercado orgânico do Departamento de Agricultura de US$ 1,2 milhão concedida no mês anterior.
Separadamente, a Fundação Nacional de Ciência forneceu US$ 1 milhão em janeiro para aprimorar o processo produtivo, que ainda exige muito trabalho manual e envolve três etapas delicadas de cultivo e secagem.
Crescimento comercial e parcerias estratégicas
Os investimentos públicos estão acelerando a transformação comercial, e os recursos permitirão que a Symbrosia, que opera há cinco anos, aumente sua produção em 1.600%, segundo a diretora executiva Alexia Akbay.
Com isso, pouco mais de 6 mil bovinos poderão comer Seagraze como parte da alimentação, ante o limite atual de 250 animais.
A Blue Ocean Barns, outra empresa de algas marinhas sediada em Kona, fechou parcerias com duas grandes fazendas de laticínios no continente americano e com a fabricante de sorvetes Ben & Jerry’s, arrecadando US$ 20 milhões.
A Symbrosia já havia assinado acordos com a Organic Valley, a maior cooperativa de produtores do país, e a Danone, maior fabricante de iogurte dos EUA.
Perspectivas de crescimento local e global
Akbay disse ao AP News que o aporte financeiro recente é um marco para iniciar a expansão comercial do produto entre produtores locais, como a Parker Ranch, e empresas maiores, como a Organic Valley.
A empresa não parece planejar uma expansão para fora do Havaí em breve, por causa do clima único da região e das condições de cultivo.
A Symbrosia está ampliando sua área de operação de um quarto de acre para 15 acres e planeja contratar 70 funcionários.
Segundo a empresa, o crescimento reflete a confiança no modelo de negócio e a demanda por soluções que reduzam o impacto ambiental da produção pecuária global.













