Um grupo de amigos catarinenses capturou um pirarucu de 2,45 metros no Rio Teles Pires, em Sinop (MT), na última segunda-feira (17/8).
O engenheiro Júnior Santin fisgou o peixe de um caiaque. O animal superou em 12 centímetros o recorde atual da espécie, mas a marca não será reconhecida.
O pirarucu foi capturado pelo empresário e barista Felipe Barp Rossetto, pelo engenheiro Júnior Santin, pelo policial científico Lucas Cambrussi e pelo aposentado Vilson Rossetto.
O registro vigente da espécie é de 2,33 metros, mas a Brazilian Game Fish Association (BGFA) não reconhecerá o resultado como recorde.
O pirarucu, nativo da bacia amazônica, é um dos maiores peixes com escamas em água doce do mundo. Segundo a Embrapa, costuma medir entre 1,5 e 2 metros de comprimento.
Enquanto Santin estava em um caiaque, Rossetto e Cambrussi o ajudavam a retirar o peixe de um barco próximo. A tarefa durou mais de uma hora e exigiu esforço de todos.
Impedimentos à homologação do pirarucu capturado
Dois detalhes impedem que a BGFA homologue o pirarucu capturado.
O primeiro é o equipamento de medição: o grupo tinha uma trena convencional e uma régua da entidade, que mede apenas peixes de até 1,50 metro.
Para um exemplar desse tamanho, era necessária uma fita métrica oficial destinada a peixes maiores. O segundo motivo, mais decisivo, é a soltura do animal.
As normas da BGFA exigem que o peixe seja devolvido à água para que o recorde seja registrado.
No entanto, os pescadores abateram o pirarucu de acordo com a Instrução Normativa número 07/2026 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), publicada em março deste ano.
A norma classifica o pirarucu como espécie exótica invasora quando está fora da área de ocorrência natural.
Exigência ambiental prevalece sobre recorde
A norma permite a captura e o abate do pirarucu em 10 regiões hidrográficas do país, Atlântico Nordeste Ocidental, do Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental, do São Francisco e Atlântico Leste, entre outras.
Para os pescadores, que habitualmente praticam pesca esportiva e liberam seus peixes, a decisão de abater representou uma experiência estranha.
Felipe Barp Rossetto explicou à Globo Rural que, embora a sensação de capturar um peixe tão extraordinário tenha sido indescritível, era necessário seguir a norma.
A exigência legal tem como objetivo ajudar a controlar a população da espécie invasora.
O grupo sempre viaja junto há anos em busca de grandes peixes no Mato Grosso e não imaginava encontrar um exemplar desse tamanho no Rio Teles Pires.













